Pois é.
Amanhã comemora-se o 38º aniversário da Revolução dos Cravos em Portugal.
Um dia histórico ao qual, apesar de não ter assistido pessoalmente, não consigo escapar. Afinal, foi um dia - é um dia - que moldou, mais, revolucionou o sistema politico-ideológico nacional.
É com o Cravo na lapela que escrevo a posta de hoje, sobre dois importantes acontecimentos da democracia portuguesa recente.
O primeiro é a ausência da Associação 25 de Abril das cerimónias oficiais de amanhã. De acordo com os militares “a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril e configurado na Constituição”. De facto, apesar de a minha memória do 25 de Abril provir dos relatos de dois comunistas e de vários registos nos media, parece-me estarmos cada vez mais afastados dos ideais - utópicos ou não - que fundaram a revolução.
Aliás, disse o Coelho ao Sol: "Não é preciso ir buscar o dr. Salazar para perceber que os países que querem
crescer têm de poder financiar esse crescimento; e que só é possível financiar
crescimento com poupança". Ora! Mas então vamos amanhã celebrar o aniversário de quê?! Soares e Alegre já se solidariszaram e não compareceção. Eu também não.
O outro assunto que me inquieta - não, não vou falar sobre o quão assustadora é a ascenção da extrema-direita em França, mas podia - é o novo recuo da UGT, que dá tempo ao Coelho para mostrar resultados.
Pois eu compreendo perfeitamente a posição da Central Sindical do Proença. Juro.
Pensem comigo.
Se o meu trabalho é defender trabalhadores e se a política deste governo se preocupa tanto em que Portugal tenha trabalho para cada vez menos pessoas, então eu vou continuar a ganhar o meu, trabalhando menos. Se não tenho ninguém para defender... Eh!, pá... Coelho, já que insistes, eu até te dou mais um tempinho, vá, vê lá se pões o desemprego acima dos 20% que quanto menos, melhor...
E assim está o burgo em vésperas do aniversário da Revolução dos Cravos. Aproveitemos, pelo menos, o feriado, que é das poucas coisas que ainda podemos aproveitar (por quanto mais tempo?).
Pintelho
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