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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Eu sou da opinião de que a tua opinião está errada

Pois é. Quem é que nunca se cruzou com eles. Os do contra. Os do "não percebes nada disto". Mesmo que a esta frase não se siga nenhum contra-argumento.

Pode ser um conhecido, amigo, familiar, a sogra, o sogro (normalmente estes são sempre do contra), a pessoa com quem dormimos à noite ou aquela que habita o nosso cérebro, mas a verdade é que todos nós conhecemos alguém do contra. Eu não conheço, mas vamos lá acreditar que o que escrevi é verdade...

E quem, caros leitores, nunca assistiu com alguém a uma peça jornalística sobre um tema polémico. As touradas, por exemplo. Que mau exemplo! 

Vem um defensor das touradas argumentar, e eis a personagem (eu nunca seria assim) "Olha-me este, a defender que matar os pobres bichinhos é um espectáculo... Era quem lhe espetasse uma bandarilha nas costas dele...". A peça avança, ouve-se um elemento anti-tourada, e a voz "Estes, também, querem acabar com a tradição... Metam-se na vida deles!".

Ou na política. Ouve-se um deputado de esquerda (a propósito, eu já vos disse que isso da esquerda é uma fantochada irrealista?) criticar o governo, e um desabafo "Queria-te ver no lugar dele!". Peça seguinte, Coelho a falar sobre as medidas que a troika impôs ao país (já vos disse que o 25 de Abril está moribundo?), e um "Devias ter vergonha na cara em fazer isso aos portugueses!".

O meu clube joga mal, mas o dos outros é favorecido pela arbitragem...
Eu vejo sempre a SIC, mas a programação não tem sentido nenhum...
Eu acho uma estupidez as bebedeiras que a estudantada apanha nas Queimas das Fitas, mas já vou combinar a noite dos Alumni...
Eu acho mal o neoliberalismo assustador da Jerónimo Martins, mas andei à pancada para comprar papel higiénico mais barato...

Enfim, eu acho que toda a gente tem direito à sua opinião, ainda que devesse haver alguém que calasse algumas pessoas!

Pintelho

terça-feira, 24 de abril de 2012

O Cravo está murcho

Pois é.

Amanhã comemora-se o 38º aniversário da Revolução dos Cravos em Portugal.
Um dia histórico ao qual, apesar de não ter assistido pessoalmente, não consigo escapar. Afinal, foi um dia - é um dia - que moldou, mais, revolucionou o sistema politico-ideológico nacional.

É com o Cravo na lapela que escrevo a posta de hoje, sobre dois importantes acontecimentos da democracia portuguesa recente.

O primeiro é a ausência da Associação 25 de Abril das cerimónias oficiais de amanhã. De acordo com os militares “a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril e configurado na Constituição”. De facto, apesar de a minha memória do 25 de Abril provir dos relatos de dois comunistas e de vários registos nos media, parece-me estarmos cada vez mais afastados dos ideais - utópicos ou não - que fundaram a revolução.
Aliás, disse o Coelho ao Sol: "Não é preciso ir buscar o dr. Salazar para perceber que os países que querem crescer têm de poder financiar esse crescimento; e que só é possível financiar crescimento com poupança". Ora! Mas então vamos amanhã celebrar o aniversário de quê?! Soares e Alegre já se solidariszaram e não compareceção. Eu também não.

O outro assunto que me inquieta - não, não vou falar sobre o quão assustadora é a ascenção da extrema-direita em França, mas podia - é o novo recuo da UGT, que dá tempo ao Coelho para mostrar resultados.
Pois eu compreendo perfeitamente a posição da Central Sindical do Proença. Juro.
Pensem comigo.
Se o meu trabalho é defender trabalhadores e se a política deste governo se preocupa tanto em que Portugal tenha trabalho para cada vez menos pessoas, então eu vou continuar a ganhar o meu, trabalhando menos. Se não tenho ninguém para defender... Eh!, pá... Coelho, já que insistes, eu até te dou mais um tempinho, vá, vê lá se pões o desemprego acima dos 20% que quanto menos, melhor...

E assim está o burgo em vésperas do aniversário da Revolução dos Cravos. Aproveitemos, pelo menos, o feriado, que é das poucas coisas que ainda podemos aproveitar (por quanto mais tempo?).

Pintelho

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Produtividade

Após uma ausência relativamente prolongada, regresso.

E o texto de hoje é exclusivamente dedicado a explicar a minha ausência. Atentem, púbicos leitores.

Nas circunstâncias actuais do burgo, alguém que produza - textos, neste caso - em quantidades razoáveis pode sair amplamente prejudicado.
Senão notem. Portugal, nas condições que vive, é um país altamente improdutivo. Tão improdutivo que, apesar de os índices de produtividade serem dos mais baixos da Europa, há trabalho para cada vez menos cidadãos.
Então, pensei. E se o Blogger Portugal está a despedir, por excesso de produção literária (bem, chamar literatura a isto é um bocado pretensioso, mas...)? É melhor acalmar, e parecer um português comum. Passar despercebido é sempre uma boa opção nestas circunstâncias.

E foi isso que fiz.
Então, e o que aconteceu depois? - procura saber o púbico leitor.

Depois, recebi um email todo catita da Google. Informavam-me eles que, apesar de a minha produção ser de uma qualidade bastante acima da média violava as normas da Google AdSense. De acordo com a missiva do gigante americano, este blogue tem conteúdos para adulto, facto que os levou a congelarem a subscrição do programa.
Por momentos pensei que tivessem razão. Afinal de contas, a política - principal assunto que tenho abordado no tasco - é coisa de adulto maduro. Depois lembrei-me dos que nos governam, e percebi que a Google está equivocada.

Eis então que, como qualquer português nos dias que correm, tive que voltar ao activo. Só mesmo para mostrar que tenho valor de mercado. Pouco, é certo, como se pretende de um bom trabalhador, mas ainda assim, valor.

Primeiro pensei em desactivar definitivamente o AdSense. Depois lembrei-me que isso seria produzir demasiado num dia só, pelo que isso fica para amanhã. Ou para daqui a um mês, talvez.

Contem com actividade para breve.

Pintelho (agora penso: será pela assinatura?!)