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quarta-feira, 21 de março de 2012

A "magia" da TV

Esta manhã acordei com tempo.
Tomei duche, cortei a barba, vesti-me e ainda sobravam uns minutos antes de ir para o trabalho.
"Vou ver as novidades na televisão".
Liguei-a.
Estava na Sic Notícias. Aí tinha ficado, da noite anterior.
"Bom dia, a execução orçamental não está a correr conforme os planos. Menos receita, mais despesa. A troika aplaude." e "Bom dia, o desemprego continua a aumentar. A troika desdramatiza!".

Agora eu questiono. Como é que, com um orçamento tão restritivo como o imposto pelo Executivo de Coelho, quando a execução do mesmo falha redondamente, continuamos a culpar "os outros", e a dizer que "são medidas necessárias"? Medidas necessárias, imagino eu, são medidas que funcionem! Em que mundo andam os cérebros destas pessoas? Como é que a troika continua a dizer que Portugal está no "bom caminho"? A esta eu sei responder. Enquanto os juros forem caindo nos bolsos - nas bolsas - dos poderosos, Portugal continuará a ser um aluno bem comportado. Enquanto continuar a ver o pouco que ainda resta aos portugueses a mudar de dono, esta "entidade" continuará a avaliar positivamente Portugal. Depois, fará como à Grécia.
Como é que o desemprego continua a aumentar e nós, paulatinamente, conformados com o "que se gastou no passado", nos mantemos de cabeça baixa? Aprendemos bem a lição, enquanto alunos bem-comportados que somos.
Amanhã, com as mesmas práticas, serão as notícias diferentes?
Não será hora de acordar e mostrar de vez um cartão vermelho à política que nos levará à ruína?

Pintelho

segunda-feira, 12 de março de 2012

A "emigração parva"

O mesmo executivo que incentivou os portugueses a enugrar vem agora apresentar, por diversas fontes, preocupação com a "emigração parva". Casais com filhos que emigram sem garantias.
O secretário de estado responsável pelo assunto incentiva, agora, a que ninguém emigre sem um contrato de trabalho, dado que os consulados não têm capacidade de resposta.

Agora a sério... Será que estes senhores não compreendem que a política de emigração e as questões laborais são muito mais que uma brincadeira irresponsável? Será que continuaremos por muito tempo a ter à frente dos destinos do país um grupo de cabeças preocupadas em pagar dívidas a qualquer custo, muito superior ao dos juros financeiros?

Não me oferece dizer muito mais. Se não fosse um assunto sério, teria aqui uma pérola humorística sem usar sequer uma palavra minha!

Pintelho

sexta-feira, 2 de março de 2012

Solução para o desemprego

Hoje, no Púbico, brindo-vos com a mágica solução para o desemprego em Portugal, caros leitores.

Este post, dado o seu conteúdo altamente interessante para quase 15% da população activa, tem um elevado potencial comercial, pelo que pensei desde logo em protegê-lo por Copyright, mas acabei por abandonar a ideia!

Assim, Portugal precisa de se unir contra as políticas desastrosas que têm levado o desemprego, tendencialmente baixo, a subir em flecha.

Atentem, por favor.
Portugal tem sido historicamente conhecido como um país com dois índices bastante baixos: produtividade e desemprego. No outro extremo, países produtivos tendem a taxas altas de desemprego.
Ora, isto não acontece à toa, deixem-me que vos diga. Se a produtividade é baixa, são necessários dois colaboradores para fazerem o trabalho de um.
Ora, as políticas de austeridade impostas pela troika e carneiristiamente acatadas pelo Coelho levam a que empresas e função pública exijam mais produtividade dos seus colaboradores, para combater a crise.
Ora, posto isto, as contas não batem certo. Se preciso de dois para fazer cem, e se, fazendo 200, tenho prejuizo, se um começa a trabalhar por dois, tenho que despedir o segundo.
E assim, caso após caso, chegámos aos 15% de desemprego.
É por isso, caro leitor, que lanço desde já um apelo à não produtividade. Não trabalhe, não faça mais, não faça melhor, mesmo que consiga. Assim salvaguardamos os empregos - escassos - que ainda sobram. Não trabalhe muito. Porque os responsáveis pela criação de emprego também não o têm feito.

Pintelho

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Poupe nos empregos

Não se fala de outra coisa. O número mágico é o 0,14. 14%, dizem os media, para parecerem chic.
Se vai no trânsito, aposto que está a ouvir algum locotor de voz profunda e carregada a anunciar que o desemprego bateu nos 14%.
Se viu o jornal da noite, aposto que os mesmos 14% lhe apareceram em letras garrafais.
Se lê jornais, acredito que qualquer manchete é feita por este número.
Nós, no Púbico, somos conformistas à norma e, como tal, temos que fazer manchete deste número.
Não o quero desvalorizar. Note-se, é terrível. Após este pressuposto, sigamos em frente com o texto.
Eu, por cá, estou convicto de que isto está perfeitamente alinhado com a estratégia de governo de Coelho. Corta nos rendimentos, corta nas regalias, corta nas prestações sociais, corta nos empregos. Alguém pode acusar estes senhores de incoerência?
Não me parece que esta coerência seja aquela de que o país precisa, mas é a coerência que o país, ou a grande maioria dele, elegeu.
Ao engano ou não, mas elegeu. O governo da vassoura. Varre os subsídios, varre os apoios na saúde, varre os apoios na educação, varre os empregos… Já ameaçou, até, varrer os cidadãos do país para fora. Querem governar um deserto, governem-no, pá.
A CGTP já anunciou greve geral para 22 de Março. A UGT opõe-se. Cheira-me que há muitos sindicalistas ugêtistas que também andam de vassoura na mão…
Afinal, este governo tem conseguido muitos feitos! Conseguiu:
- Aumentar o desemprego;
- Aumentar a dívida pública;
- Diminuir as exportações.

Um forte, fortíssimo aplauso para o governo do Coelho, o governo da vassoura… Até ao dia em que os mesmos portugueses de brandos costumes que o elegeram peguem nas suas próprias vassouras!

 Pintelho