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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Poupe nos empregos

Não se fala de outra coisa. O número mágico é o 0,14. 14%, dizem os media, para parecerem chic.
Se vai no trânsito, aposto que está a ouvir algum locotor de voz profunda e carregada a anunciar que o desemprego bateu nos 14%.
Se viu o jornal da noite, aposto que os mesmos 14% lhe apareceram em letras garrafais.
Se lê jornais, acredito que qualquer manchete é feita por este número.
Nós, no Púbico, somos conformistas à norma e, como tal, temos que fazer manchete deste número.
Não o quero desvalorizar. Note-se, é terrível. Após este pressuposto, sigamos em frente com o texto.
Eu, por cá, estou convicto de que isto está perfeitamente alinhado com a estratégia de governo de Coelho. Corta nos rendimentos, corta nas regalias, corta nas prestações sociais, corta nos empregos. Alguém pode acusar estes senhores de incoerência?
Não me parece que esta coerência seja aquela de que o país precisa, mas é a coerência que o país, ou a grande maioria dele, elegeu.
Ao engano ou não, mas elegeu. O governo da vassoura. Varre os subsídios, varre os apoios na saúde, varre os apoios na educação, varre os empregos… Já ameaçou, até, varrer os cidadãos do país para fora. Querem governar um deserto, governem-no, pá.
A CGTP já anunciou greve geral para 22 de Março. A UGT opõe-se. Cheira-me que há muitos sindicalistas ugêtistas que também andam de vassoura na mão…
Afinal, este governo tem conseguido muitos feitos! Conseguiu:
- Aumentar o desemprego;
- Aumentar a dívida pública;
- Diminuir as exportações.

Um forte, fortíssimo aplauso para o governo do Coelho, o governo da vassoura… Até ao dia em que os mesmos portugueses de brandos costumes que o elegeram peguem nas suas próprias vassouras!

 Pintelho

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Isto é que é saber poupar

Eu pertenço àquela geração que já não achava grande piada a estudar as dinastias no ensino básico. Na verdade, acreditava que decorar cognomes fosse uma perda de tempo, sobretudo porque podê-los-ia consultar a qualquer hora numa enciclopédia.

Aparentemente, a geração dos nossos actuais governantes, não contente com a ideia de existirem repositórios, pretende poupar no novo imposto sobre o armazenamento da informação.
Afinal de contas, que outro motivo poderá haver para que, num novo portal do governo, mais intuitivo e fácil de navegar, desapareça grande parte das referências a executivos anteriores?

Por cá, dei voltas e mais voltas à cabeça, até concluir que, além da poupança no infame imposto que legitima a pirataria, o governo poupa em comparações entre, por exemplo, o charme de José Sócrates e o de Coelho, em que o primeiro, garantidamente, levaria a melhor.

Poupa, ainda, em notas negativas a História de Portugal. Se não existe no site do Governo no Magalhães, então nunca foi verdade, setôra.

Queremos, pois, acreditar, que o mais fácil apra ultrapassar o difícil momento que Portugal atravessa será, seguindo o exemplo do portugal.gov.pt, ignorar o passado. Caros leitores, esqueçam todos os direitos adquiridos com a democracia. Após as referências à maçonaria desaparecidas, aos documentos originais do dossier Sócrates desaparecidos, aos governos anteriores a Coelho desaparecidos, só nos resta uma condição à qual nos agarrarmos: a qualidade de vida austeridade.

Pintelho