sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Consenso

Confesso que não deu.

 
Ontem, pelas vinte horas, António José Seguro fazia uma jogada política de mestre.

Curto e grosso, e surpreendendo aqueles que, no PS, aguardavam uma declaração de abstenção "em nome da pátria", conseguiu vários objectivos. O primeiro, representar eficazmente o partido que representa. O segundo, numa atitude claramente populista, angariar simpatizantes de centro, aqueles que decidem eleições, ao apresentar uma indignação tão "plebeia", a mesma que todos, neste momento, sentimos. O terceiro e, provavelmente, mais importante, condicionou fortemente a entrevista que o Primeiro-ministro viria a dar, uma hora mais tarde, na sua residência oficial.
Foi curto e grosso, como disse, e não poderia ser de outra forma. Aplaudo.

 Já após as vinte e uma, foi no conforto e segurança da sua residência, evitando manifestações que, teimosamente - vá-se lá saber porquê - teimam em rodear este governo, que Coelho respondeu às questões colocadas pelos elementos da RTP.

Não sei bem que pensar da postura de um PM tão "orgulhosamente só", a lembrar outros tempos. Se, por um lado, usava a máscara do salvador incompreendido, e transmitia um discurso de "vocês, os 10 milhões, vão dar razão a mim e à minha equipa, um dia, mais tarde", por outro, deixava-me com os nervos em franja, admitindo uma abertura ao diálogo em certas condições. E as condições são claras: eu falo convosco, mas o único cenário que admito é a vossa mudança de posições. Eu, por amor à pátria, vou até ao fim. Fiquei ainda com a percepção de que, apesar do teatro e das máscaras venezianas, PPC encontra-se fragilizado. A forma como se esquiva às acusações de dentro da coligação e do partido denota uma clara falta de argumentos. E se não conseguimos argumentar para dentro, como seremos capazes de convencer os de fora?
E, perdoem-me, púbicos leitores, mas este blogue foi, é, e manter-se-á fora das laranjas.
 
Foi com um certo sentimento inevitável de pena - a sério, ver o nosso PM tão moribundo faz-me sentir pena pelo país - que abandonei a entrevista a meio. Era claro que nada mais PPC tinha a acrescentar. Infelizmente, ele já se terá apercebido que a política governativa e medidas de gabinete climatizado que impõe ao país não surtirão efeito. Não vão resultar. Só lamento que seja incapaz de admitir erros e fracassos e de procurar alternativas reais.

Desviei-me do consenso, já sei. Mas a verdade é que, a Passos Coelho, reconheço um mérito. O mérito de unir os portugueses, de todas as cores político-partidárias, da esquerda à direita, do interior do seu partido, inclusive, contra as medidas injustas, ineficazes e altamente prejudiciais para o país e, sobretudo, para aqueles que fazem o país - as pessoas.

 Posto isto, este senhor deveria dar ouvidos ao consenso nacional e dialogar, não à sua maneira, mas na verdadeira acepção da palavra, com os seus parceiros sociais. E, se não for pedir demais, arranje-se outro governo, que ter o país, em estado tão débil, a ser governado por pessoas manifestamente incompetentes (já não há dúvidas disso), não me parece ser uma boa forma de retomar um bom rumo.

 Confesso que não deu. Para manter o sarcasmo fora deste blogue. Nem para ver a entrevista até ao fim, pois corria o risco de ataque cardíaco por excesso de cortisol.

 
Pintelho

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Discurso do estado da púbis

Caros e púbicos leitores.

 
Algures durante a noite passada, num convívio habitual, um conviva irritava-se com tudo o que fosse cor-de-laranja e lhe aparecesse à frente. Quem o pode censurar?

Nessa hora, após perder um lápis de cor laranja que entre os convivas circulava, pensei estar na altura de quebrar o silêncio sobre o circo governamental instalado.
 
Hoje, ao acordar, ainda pensei ser hora de escrever um discurso daqueles "à Pintelho", a insultar humoristicamente um Coelho, as Relvas e o Gasparzinho. Mas, enfim, ponderei melhor... E concluí que, efectivamente, brincar com a situação que o país e, concretamente, aqueles que, cada vez menos, ainda têm trabalho, atravessam seria algo de muito mau gosto.

Creio que, neste momento, a situação se tornou grave o suficiente para que já não tolere piadolas sobre governantes incompetentes que querem, à custa dos mesmos, dos que menos podem, resolver uma situação que também ajudaram a criar. Não, por mim, acabou-se a última pintelhice de humor que este blogue ainda tinha.
 
Algo que me irrita profundamente é que os tão sábios governantes da coligação não dominem as regras da lógica. Vejamos:

Se um aumento de impostos (A) em 2012 leva a uma quebra de receitas (C) por via de uma diminuição dos encaixes no imposto sobre o consumo (IVA) (B), então, por que carga de água é que, em 2013, um aumento de impostos (A) não levará a uma quebra no consumo (B) e consequente diminuição das receitas (C)? Serei eu o único iluminado? Claro está, já nem entro no campo da transferência de rendimentos dos trabalhadores para as empresas que, pobres que andam, precisam de mais. E depois, com aquele discurso molengão (cá para mim é propositado, para que as pessoas não o oiçam até ao fim, de tão irritadas e dormentes que ficam), ouvimos o Gasparzinho, qual fantasma da crise, anunciar que a redução da TSU das empresas não vai ser absorvida pelas margens de lucro. Ora, pois não… E medidas que o desincentivem? “Pois, vamos ter medidas que o desincentivem fortemente, a sério. Juro, juro…”. E ainda temos a crença no Pai Natal, com qualquer coisa como um “Acredito fortemente que as empresas produtoras de bens e serviços vão reduzir aos preços, reduzindo, assim, a quebra do rendimento disponível das famílias...”.

Ora, quando o nosso país está entregue a políticos que ainda acreditam no Pai Natal, algo não está bem.

Arrelia-me ainda a atitude da UGT que, apesar da afronta desmesurada àqueles que representa, insiste em não rasgar o acordo de concertação social. Não sou sindicalizado e, estando de fora, racho lenha, mas com centrais sindicais destas…

A oposição em bloco condena as medidas anunciadas pelos suspeitos do costume. Eventualmente, eu já vi este filme, mesmo que, na altura, o PS ainda não estivesse contra. O governo aprova medidas socialmente insuportáveis, o Presidente da República, cada vez mais uma figura de estado das revistas cor-de-rosa, abstém-se das suas responsabilidades políticas, e o TC chumba, mas só “para o ano (2014)”. Assim sendo, lá temos o Passos com o que pretende. Um país mais pobre (já dizia o outro, a antecipar o seu sucessor), menos satisfeito e competitivo e, a este ritmo, com uma agitação social crescente.

É por isso, púbicos leitores, que acho que deveríamos considerar aberta a época oficial de caça ao Coelho, de corte de Relvas, de arrombamento de Portas, de caça aos fantasmas, pois o Gasparzinho afinal não é um fantasma bom, entre outros espécimes que se possam cruzar com o nosso caminho.

Portugal, assim, não! Prefiro uma selecção que atira cinco bolas ao poste num jogo a uma equipa de governantes que insiste em marcar auto-golos, daqueles que contam a favor dos que menos precisam.
Pintelho
 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Prometo a mim mesmo nunca escrever sobre 11 tipos pagos a peso de ouro atrás de uima bola...

... Juro. Prometo.

Oh!, pá, mas posso falar sobre a minha gorada tentativa de deixar a onicofagia?
Pronto, então cá vai!
Vão praticamente duas semanas desde que encetei a minha tentativa para deixar esse terrível vício, quase mortal (que o diga o meu peritoneu).
Pois é, tive uma recaída, e cá me confesso…
Olá, o meu nome é Pintelho, roo as unhas e a culpa é do Ronaldo.
“Olá, Pintelho!”, responderão vocês, onicófagos anónimos (OA).

Pois bem, escrevo este post em busca de opiniões sábias de outros OA.
Ontem, enquanto Portugal entrava mal no jogo, a primeira recaída. O mindinho da mão direita via a sua protecção de queratina reduzida ao mínimo indispensável à sobrevivência sem dor. Mer**, pensei.
Seguiu-se um bom período em que voltei a jurar nunca mais recair, graças à ajuda dos meus amigos Pepe e Postiga. Uff…. Assim vai dar para me manter fora do vício.
Mas não muito tempo depois, tudo piorou.
Não culpo a Dinamarca. Não são meus compatriotas, vai na volta são dealers de instrumentos cirúrgicos utilizados para operar apendicites, enfim… Fizeram o seu trabalho. Quem não fez foi o Ronaldo.

 Muito se falou ontem sobre a forma como o nosso 7 reage à pressão, sobre a infelicidade na finalização, etc. Ora, perdoem-me… Se eu errar, sou responsabilizado. Se errar gravemente, sou chamado à atenção. Se repetir esse erro, há justa-causa para despedimento por inadaptação ao posto. Mas este senhor, que ganha por minuto – mesmo a dormir – mais que eu por mês, é um “mal-amado”, um incompreendido… Francamente! Responsabilizem o homem, “goddamn it”, que ele até tem costas largas e ganha o suficiente para poder arcar com responsabilidades. Fez um jogo para não esquecer - e aprender com ele.

Mas voltando ao assunto desta posta. Com os falhanços do Ronaldo e o empate, é óbvio que não foi só a queratina do mindinho direito que se foi abaixo. Foi a do esquerdo também, e dos anelares, médios, indicadores e polegares. Não descalcei os sapatos porque assisti ao jogo num auditório e achei por bem poupar os restantes espectadores ao espectáculo de me verem ingerir até as unhas dos pés! Mas nos últimos minutos já estava tentado, porque a ressaca era tremenda...

Está claro que a minha intenção há duas semanas era óptima! Aproximavam-se umas férias, tempos calmos, propícios a deixar o vício. Comprei pastilhas elásticas, selos de queratina daqueles que se colam no braço, mas nada disso resultou perante tal ataque de nervos.
Felizmente, felizmente, quando já não havia mais unha para roer, o Varela recebeu a bola na área. Pimba, mordidela no dedo após desastrado falhanço… Mas o homem lá se redimiu em dois segundos.

Assim sendo, e porque o Paulinho da tranquilidade me deixou intranquilo, aqui deixo a minha declaração de intenções de o processar a ele e ao 7, pela intranquilidade inesperada que me fez retomar este vício tão terrível. Vou pedir uma indemnização bem choruda e gastá-la nos melhores nail-corners da região.
Que têm a dizer-me, queridos OA?

Agora já sem unhas, venha o sumo de laranja mecânica.


Pintelho

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Muda de vida

Esta posta bem podia ser um tributo ao mestre António Variações, mas não é, desenganem-se.
É, antes, uma apreciação do desempenho português no Your Better Life Index, da OCDE.

Ao entrar na página, o leitor depara-se, em letras garrafais, com o primeiro importante aviso à navegação que, no caso português, está a ser feita pela tripulação do Coelho: "Há mais na vida que os frios números do PIB e das estatísticas económicas".

Pois, disso já sabemos todos... Menos o Executivo.

Mas sobre governos, pouco mais adianta. Este estudo é sobre pessoas, sobre o que elas pensam e fazem. E é disso que vamos falat.

O estudo, graficado em flores, cobre 11 temas da vida de cada um dos 36 países-membro da OCDE.
São abordados temas relacionados com o bem-estar material, como o alojamento, emprego e rendimentos. Há ainda temas relacionados com a qualidade de vida - comunidade, educação, saúde, satisfação com a vida, participação cívica, segurança e equilíbrio trabalho-família.

Sendo eu um apaixonado por estas questões da qualidade de vida, fui investigar Portugal.

Antes de olhar para a frieza dos números, decidi-me a espreitar o entendimento da OCDE sobre a vida em Portugal.
Pode ler-se, algures no relatório, que o português ganha, em média, quatro mil dólares a menos, por ano, que o membro-médio da OCDE. Até aqui, nada de novo, somos pobres. A frase imediatamente seguinte é uma daquelas verdades que apenas o Coelho ignora. Os 20% mais ricos ganham seis vezes mais que os 20% mais pobres, sendo um dos países da OCDE com maior fosso entre ricos e pobres.

Quer-me parecer que tende a aumentar...

No que toca à educação, os números passam de alarmantes a assustadores. 30% dos cidadãos portugueses completaram o 12º ano, em comparação com uma média de 74%...
Em Portugal, estudar cansa. Somos, mesmo, o país com a mais baixa taxa de escolarização do estudo.

Mas nem tudo são agruras. Manter uma casa em Portugal é bastante mais barato que a média, consumindo a casa 18% do rendimento, contra os 22% nos restantes países estudados. Estamos, também, 5% mais satisfeitos com as condições de habitação que a média.

Muitos outros pequenos indícios poderiam ser abordados mas, como o post já vai bastante longo, vamos ao que interessa.

Se, em termos gerais, os indicadores nacionais se enquadram no segundo quartil do estudo, os "menos maus", há alguns indicadores dignos de nota.
Por um lado, o bom desempenho nas questões ambientais, com uma das maiores taxas de renováveis do estudo, e um excelente acesso a água potável, apesar da falta de espaços verdes nas urbes. Acresce um bom desempenho nas questões de equilíbrio trabalho-família, muito por culpa de um menor número de horas de trabalho anuais. Preocupa, aqui, o enorme fosso entre homens e mulheres no que ao trabalho doméstico diz respeito. Ainda somos, sem dúvida, um país machista.

Depois vêm aquelas escalas em que somos "dos piores". O envolvimento cívico / político - não confiamos nas nossas instituições nem nos políticos que nos representam. Será defeito da população?
A comunidade - somos pouco solidários e voluntários. Acreditamos menos nos relacionamentos de amizade. A educação, pelas razões acima mencionadas, comporta-se, também, bastante mal.

Com todos estes prós e contras, o facto mais perturbador prende-se com a satisfação com a vida. Seria de acreditar que, em linha de conta com os restantes indicadores, nos encontrássemos ligeiramente abaixo da média. Contudo, de 0 a 10, os portugueses dão 1 à sua satisfação com a vida, na 35ª posição, e apenas acima da Hungria. Muito abaixo da média.

Somos, pois, um país insatisfeito. Extremamente insatisfeito.
Resta, pois, saber por que é que não aproveitamos essa insatisfação para agir pela comunidade, para nos envolvermos politicamente, para educarmos os nossos filhos, ...

Não será este estudo um cartão amarelo a Portugal? Desta feita, não só ao governo, nem às instituições, mas sobretudo aos cidadãos? Não será hora de canalisar a insatisfação em prol de melhores condições? De um Portugal acima da média? De um país de sorrisos e felicidade?

Saltando de Variações para Palma, "Ai Portugal, Portugal, de que é que estás à espera?".
Eu, por mim, quando estou insatisfeito, mudo. Vamos todos trabalhar para uma mudança colectiva?

Pintelho

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Eu sou da opinião de que a tua opinião está errada

Pois é. Quem é que nunca se cruzou com eles. Os do contra. Os do "não percebes nada disto". Mesmo que a esta frase não se siga nenhum contra-argumento.

Pode ser um conhecido, amigo, familiar, a sogra, o sogro (normalmente estes são sempre do contra), a pessoa com quem dormimos à noite ou aquela que habita o nosso cérebro, mas a verdade é que todos nós conhecemos alguém do contra. Eu não conheço, mas vamos lá acreditar que o que escrevi é verdade...

E quem, caros leitores, nunca assistiu com alguém a uma peça jornalística sobre um tema polémico. As touradas, por exemplo. Que mau exemplo! 

Vem um defensor das touradas argumentar, e eis a personagem (eu nunca seria assim) "Olha-me este, a defender que matar os pobres bichinhos é um espectáculo... Era quem lhe espetasse uma bandarilha nas costas dele...". A peça avança, ouve-se um elemento anti-tourada, e a voz "Estes, também, querem acabar com a tradição... Metam-se na vida deles!".

Ou na política. Ouve-se um deputado de esquerda (a propósito, eu já vos disse que isso da esquerda é uma fantochada irrealista?) criticar o governo, e um desabafo "Queria-te ver no lugar dele!". Peça seguinte, Coelho a falar sobre as medidas que a troika impôs ao país (já vos disse que o 25 de Abril está moribundo?), e um "Devias ter vergonha na cara em fazer isso aos portugueses!".

O meu clube joga mal, mas o dos outros é favorecido pela arbitragem...
Eu vejo sempre a SIC, mas a programação não tem sentido nenhum...
Eu acho uma estupidez as bebedeiras que a estudantada apanha nas Queimas das Fitas, mas já vou combinar a noite dos Alumni...
Eu acho mal o neoliberalismo assustador da Jerónimo Martins, mas andei à pancada para comprar papel higiénico mais barato...

Enfim, eu acho que toda a gente tem direito à sua opinião, ainda que devesse haver alguém que calasse algumas pessoas!

Pintelho

terça-feira, 24 de abril de 2012

O Cravo está murcho

Pois é.

Amanhã comemora-se o 38º aniversário da Revolução dos Cravos em Portugal.
Um dia histórico ao qual, apesar de não ter assistido pessoalmente, não consigo escapar. Afinal, foi um dia - é um dia - que moldou, mais, revolucionou o sistema politico-ideológico nacional.

É com o Cravo na lapela que escrevo a posta de hoje, sobre dois importantes acontecimentos da democracia portuguesa recente.

O primeiro é a ausência da Associação 25 de Abril das cerimónias oficiais de amanhã. De acordo com os militares “a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril e configurado na Constituição”. De facto, apesar de a minha memória do 25 de Abril provir dos relatos de dois comunistas e de vários registos nos media, parece-me estarmos cada vez mais afastados dos ideais - utópicos ou não - que fundaram a revolução.
Aliás, disse o Coelho ao Sol: "Não é preciso ir buscar o dr. Salazar para perceber que os países que querem crescer têm de poder financiar esse crescimento; e que só é possível financiar crescimento com poupança". Ora! Mas então vamos amanhã celebrar o aniversário de quê?! Soares e Alegre já se solidariszaram e não compareceção. Eu também não.

O outro assunto que me inquieta - não, não vou falar sobre o quão assustadora é a ascenção da extrema-direita em França, mas podia - é o novo recuo da UGT, que dá tempo ao Coelho para mostrar resultados.
Pois eu compreendo perfeitamente a posição da Central Sindical do Proença. Juro.
Pensem comigo.
Se o meu trabalho é defender trabalhadores e se a política deste governo se preocupa tanto em que Portugal tenha trabalho para cada vez menos pessoas, então eu vou continuar a ganhar o meu, trabalhando menos. Se não tenho ninguém para defender... Eh!, pá... Coelho, já que insistes, eu até te dou mais um tempinho, vá, vê lá se pões o desemprego acima dos 20% que quanto menos, melhor...

E assim está o burgo em vésperas do aniversário da Revolução dos Cravos. Aproveitemos, pelo menos, o feriado, que é das poucas coisas que ainda podemos aproveitar (por quanto mais tempo?).

Pintelho

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Produtividade

Após uma ausência relativamente prolongada, regresso.

E o texto de hoje é exclusivamente dedicado a explicar a minha ausência. Atentem, púbicos leitores.

Nas circunstâncias actuais do burgo, alguém que produza - textos, neste caso - em quantidades razoáveis pode sair amplamente prejudicado.
Senão notem. Portugal, nas condições que vive, é um país altamente improdutivo. Tão improdutivo que, apesar de os índices de produtividade serem dos mais baixos da Europa, há trabalho para cada vez menos cidadãos.
Então, pensei. E se o Blogger Portugal está a despedir, por excesso de produção literária (bem, chamar literatura a isto é um bocado pretensioso, mas...)? É melhor acalmar, e parecer um português comum. Passar despercebido é sempre uma boa opção nestas circunstâncias.

E foi isso que fiz.
Então, e o que aconteceu depois? - procura saber o púbico leitor.

Depois, recebi um email todo catita da Google. Informavam-me eles que, apesar de a minha produção ser de uma qualidade bastante acima da média violava as normas da Google AdSense. De acordo com a missiva do gigante americano, este blogue tem conteúdos para adulto, facto que os levou a congelarem a subscrição do programa.
Por momentos pensei que tivessem razão. Afinal de contas, a política - principal assunto que tenho abordado no tasco - é coisa de adulto maduro. Depois lembrei-me dos que nos governam, e percebi que a Google está equivocada.

Eis então que, como qualquer português nos dias que correm, tive que voltar ao activo. Só mesmo para mostrar que tenho valor de mercado. Pouco, é certo, como se pretende de um bom trabalhador, mas ainda assim, valor.

Primeiro pensei em desactivar definitivamente o AdSense. Depois lembrei-me que isso seria produzir demasiado num dia só, pelo que isso fica para amanhã. Ou para daqui a um mês, talvez.

Contem com actividade para breve.

Pintelho (agora penso: será pela assinatura?!)

terça-feira, 27 de março de 2012

Olééé

O título deste post podia certamente respeitar à liderança do campeonato pelo "Braguinha", isolado de Benfica e Porto, mas não. Este post tem sangue, suor, não tem lágrimas, tem tortura, sadismo e humilhação.
O post de hoje fala, pois, de tourada.

Hoje, ao folhear o Público, o Púbico encontrou uma notícia que dava como certa no Portal do Governo a vitória da causa de Sérgio pela "Abolição das corridas de touros".

Eu simpatizo com a causa, não o nego, mas francamente, chamar "espectáculo", como se pode ler na descrição da causa, ao acto de espetar bandarilhas no lombo de um animal em sofrimento está, na minha humilde opinião, profundamente errado.
Nestas ocasiões, não consigo reprimir os meus instintos. Penso sempre no sadismo que eu sentiria se um touro gigante aparecesse na arena para espetar bandarilhas nos toureiros. Confesso algum prazer perverso que tenho ao pensar neste "especáculo". Aplaudiria de pé. Será que os touros gigantes gostam de flores?!

Por outro lado, não podia deixar passar em claro o fantástico "espectáculo" que decorrerá no próximo dia 1 de Maio em Barcelos. Ora, este é o momento em que a minha perturbação de personalidade se manifesta e viro apoiante da festa brava.

Então, acho muito bem. É uma tradição bonita de se ver. Barcelos está habituado a receber toiradas! As festas das Cruzes costumam ter... Espera, não costumam... Barcelos não recebe touradas há mais de cinquenta anos, e apesar de ser um concelho cheio de espaço, nem tem uma arena. Mas não interessa, é uma arte bonita de se ver. Aquele sangue a escorrer, tão belo... É tão bonito ver o toureiro a arriscar a sua vida e a torturar um animal. É mesmo bonito!
E o mais nobre, mas mais nobre, é que este ano (como todos os anos, ou não) a festa brava recebe o nome de "Corrida de Touros dos Bombeiros Voluntários de Barcelos".
Eu acho bem. Estes Senhores são heróis, habituados a salvar animais em apuros, por que não emprestarem o nome a uma corrida em que o objectivo é torturar animais? Também o merecem!

Pintelho

quinta-feira, 22 de março de 2012

Lixeira

Hoje é dia de greve, decretada pela CGTP.

Como acho que este blogue anda a ficar muito politizado, e não quero tirar protagonismo a Arménio Carlos, que já tem muito a provar à frente dos destinos da CGTP, hoje, enquanto fazia a minha meia-hora de caminhada matinal, pensava: "Que raio irei escrever?".

Eram pensamentos legítimos, pois não me apetecia encher mais um post de frases feitas sobre uma greve anunciada a uma voz.
Eis, então, que tropeço num saco de lixo. "Que raio..."
Levanto os olhos, e reparo que, pelas ruas, quilos e quilos de lixo se acumulavam à entrada das portas.

Aparentemente, além do pré-aviso, a CGTP deveria ter informado os cidadãos de que os funcionários da recolha de lixo também têm o direito à greve.
A verdade é que, numa cidade em que não se percebe a opção por colocar sacos à porta de casa, sujeitos ao clima e aos animais, em detrimento dos contentores de maiores dimensões, não se compreende também a falta de civismo e brio daqueles que nela habitam.

Hoje, a minha meia-hora de caminhada matinal não parecia ser realizada numa cidade que se diz jovem e irreverente. Antes, parecia encetar-se numa cidade onde o respeito pelos outros, pelos que utilizam os passeios, não existe.

Pintelho

quarta-feira, 21 de março de 2012

A "magia" da TV

Esta manhã acordei com tempo.
Tomei duche, cortei a barba, vesti-me e ainda sobravam uns minutos antes de ir para o trabalho.
"Vou ver as novidades na televisão".
Liguei-a.
Estava na Sic Notícias. Aí tinha ficado, da noite anterior.
"Bom dia, a execução orçamental não está a correr conforme os planos. Menos receita, mais despesa. A troika aplaude." e "Bom dia, o desemprego continua a aumentar. A troika desdramatiza!".

Agora eu questiono. Como é que, com um orçamento tão restritivo como o imposto pelo Executivo de Coelho, quando a execução do mesmo falha redondamente, continuamos a culpar "os outros", e a dizer que "são medidas necessárias"? Medidas necessárias, imagino eu, são medidas que funcionem! Em que mundo andam os cérebros destas pessoas? Como é que a troika continua a dizer que Portugal está no "bom caminho"? A esta eu sei responder. Enquanto os juros forem caindo nos bolsos - nas bolsas - dos poderosos, Portugal continuará a ser um aluno bem comportado. Enquanto continuar a ver o pouco que ainda resta aos portugueses a mudar de dono, esta "entidade" continuará a avaliar positivamente Portugal. Depois, fará como à Grécia.
Como é que o desemprego continua a aumentar e nós, paulatinamente, conformados com o "que se gastou no passado", nos mantemos de cabeça baixa? Aprendemos bem a lição, enquanto alunos bem-comportados que somos.
Amanhã, com as mesmas práticas, serão as notícias diferentes?
Não será hora de acordar e mostrar de vez um cartão vermelho à política que nos levará à ruína?

Pintelho