segunda-feira, 12 de março de 2012

A "emigração parva"

O mesmo executivo que incentivou os portugueses a enugrar vem agora apresentar, por diversas fontes, preocupação com a "emigração parva". Casais com filhos que emigram sem garantias.
O secretário de estado responsável pelo assunto incentiva, agora, a que ninguém emigre sem um contrato de trabalho, dado que os consulados não têm capacidade de resposta.

Agora a sério... Será que estes senhores não compreendem que a política de emigração e as questões laborais são muito mais que uma brincadeira irresponsável? Será que continuaremos por muito tempo a ter à frente dos destinos do país um grupo de cabeças preocupadas em pagar dívidas a qualquer custo, muito superior ao dos juros financeiros?

Não me oferece dizer muito mais. Se não fosse um assunto sério, teria aqui uma pérola humorística sem usar sequer uma palavra minha!

Pintelho

quarta-feira, 7 de março de 2012

Onde é que eu já vi este filme?

Pululava pelas notícias, ontem, uma declaração de preocupação, por parte de responsáveis da troika.
Sem crescimento económico, dizem, Portugal não conseguirá sair da crise. Mas esperem aí. Serei eu o único, pago a peso que não de ouro, a achar que estes senhores, pagos a peso de ouro, não aprendem com os erros do passado? A política imposta pelas três entidades, e avidamente seguida por Passos (o executor), já se provou um fiasco no que à dinamização económica respeita, num outro alvo de intervenção destes "tubarões dos juros", a Grécia.
Será que estes economistas não percebem mesmo nada de economia? Mas então, como chegaram onde chegaram?
À primeira, todos caem, mas à segunda... A mim cheira-me a esturro, e a Alemanha bate palmas.

Pintelho (texto escrito fora de horário laboral, não fosse a coisa dar para o torto com a troika a cair-me em cima por falta de produtividade e estagnação)

terça-feira, 6 de março de 2012

A cultura do medo

Ando distraído.
E como ando distraído, deixei passar, no Público de ontem, um estudo muito interessante.
Denominado de "O estado da nação e o seu avesso", o estudo do filósofo José Gil procura, com base em perguntas com resposta, traçar "o vazio", para o qual não temos resposta.
Ambas as tipologias de indicadores (os "cheios" e os "vazios") são interessantes.
Ficamos, por exemplo, a saber que os portugueses se consideram medianamente felizes, mas não sabemos se gostam mais de admirar ou de invejar. O leitor sabe? E quantos vivem activamente a solidariedade social? Sabemos que há uma maior sensação de aumento da pobreza que na média da UE, mas não sabemos quantos políticos se preocupam com a pobreza. Sabemos que os índices de educação dispararam em flecha, calando as vozes críticas à geração "rasca". Mas não sabemos quais os valores que ficam por ensinar na escola. Sabemos que a corrupção foi debatida em 8 sessões plenárias, de um total de 76 nesta legislatura. Mas não sabemos quantos portugueses se sentem, realmente, representados pelos deputados.
Estes são alguns dos exemplos do ensaio realizado pelo filósofo. Ele continua, é até bastante extenso.

Um dos indicadores que me chamou particular atenção é, curiosamente, um indicador dos que conhecemos, o da criminalidade violenta.
O estudo não aflora essa questão, enveredando antes pela pieguice dos portugueses, pelo "quantos é que não vão emigrar porque têm medo? Quantos é que não denunciam? Quantos têm medo do estado?". Eu prefiro ir por outro caminho, e arrisco-me a "lançar" o meu próprio indicador "vazio". Quantos portugueses acreditam que a criminalidade violenta está no nível mais alto de sempre? Provavelmente, uma maioria esmagadora. A verdade é que o índice mostra que estamos abaixo dos níveis de 2006, e sensivelmente ao nível de 2008. Então, o que leva os portugueses a acreditarem que tudo está "muito mais violento"?
A resposta parece clara: os media. Há dois anos, vivíamos uma época áurea de sensacionalismo político, em que Sócrates enchia jornais, pelas piores e melhores razões. E não havia tempo nem espaço para muito mais. Alguma corrupção, muito futebol, e as notícias estavam preenchidas.
Actualmente, vivemos o tempo áureo da troika, mas com tanto impasse dentro do governo, não há muito conteúdo para encher jornais, sobretudo se forem diários. A decisão dá-se a um ritmo alucinante...mente lento. Então vêm as botijas de gás, as mãos-armadas, entre outros. Tudo porque, e o jornalismo sabe-o muito bem, o medo vende. E aproveita-se da fragilidade emocional humana para encaixar receitas. Sejam elas de share ou de vendas directas. O medo vende. Portanto, como o Púbico quer começar a ser mais visitado, acho que vou começar a fazer aqui uns telefonemazinhos para os directores de informação dos principais meios de comunicação social...
Bem, talvez não.
Eu, por cá, acho que seria muito mais construtivo um jornalismo que se focasse em notícias que o fossem, e não nestas falsas notícias...
Mas se calhar sou só mesmo eu!

Pintelho

sexta-feira, 2 de março de 2012

Solução para o desemprego

Hoje, no Púbico, brindo-vos com a mágica solução para o desemprego em Portugal, caros leitores.

Este post, dado o seu conteúdo altamente interessante para quase 15% da população activa, tem um elevado potencial comercial, pelo que pensei desde logo em protegê-lo por Copyright, mas acabei por abandonar a ideia!

Assim, Portugal precisa de se unir contra as políticas desastrosas que têm levado o desemprego, tendencialmente baixo, a subir em flecha.

Atentem, por favor.
Portugal tem sido historicamente conhecido como um país com dois índices bastante baixos: produtividade e desemprego. No outro extremo, países produtivos tendem a taxas altas de desemprego.
Ora, isto não acontece à toa, deixem-me que vos diga. Se a produtividade é baixa, são necessários dois colaboradores para fazerem o trabalho de um.
Ora, as políticas de austeridade impostas pela troika e carneiristiamente acatadas pelo Coelho levam a que empresas e função pública exijam mais produtividade dos seus colaboradores, para combater a crise.
Ora, posto isto, as contas não batem certo. Se preciso de dois para fazer cem, e se, fazendo 200, tenho prejuizo, se um começa a trabalhar por dois, tenho que despedir o segundo.
E assim, caso após caso, chegámos aos 15% de desemprego.
É por isso, caro leitor, que lanço desde já um apelo à não produtividade. Não trabalhe, não faça mais, não faça melhor, mesmo que consiga. Assim salvaguardamos os empregos - escassos - que ainda sobram. Não trabalhe muito. Porque os responsáveis pela criação de emprego também não o têm feito.

Pintelho

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

3,3%

Diz a CE que o PIB português deverá recuar 3,3% este ano.
Não é de surpreender, tendo sobretudo em conta as fantásticas medidas tomadas pelo governo passista, as tais que "tinham que ser tomadas"...
Felizmente, isto são excelentes notícias, dado que o governo prevê reduzir a população em cerca de 50% através da emigração, sobrando um PIB per capita fabuloso. É este, só pode, o plano...

... A verdade é que, sendo apenas números, estes representam pessoas. Mais pobres, com menos emprego, menos dignidade e menos qualidade de vida. A "segurar o barco" dos números estão aqueles que mais podem, que mais têm, e que menos continuam a sentir o impacto da política do dito governo. Eu tenho, para mim, que mais que um governo, estamnos perante um conjunto de executores de medidas da troika, medidas essas elaboradas a pensar no enriquecimento dos credores - leia-se Alemanha através da UE, BCE e FMI, todas estas entidades com finalidades financeiras claras, que não caritativas.

E ainda há quem os aplauda. Eu tenho, cá para mim, que está tudo doido! Só pode!


Pintelho (perdoem-me o desabafo)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ainda a educação

Ao que o Púbico conseguiu apurar, através daquele diário que nos plagiou o nome, o Público, a educação continua a gerar polémica.
Após o apelo do governo e PR à emigração dos professores, agora é o novo cardeal português, Manuel Monteiro de Castro, a tirar o tapete àqueles que fizeram da sua carreira ensinar os mais jovens.
Em duas entrevistas distintas (ao Jornal de Notícias e ao Correio da Manhã), Castro defende que a postura do governo está correcta. Para ele, os professores não devem mesmo contar com um lugar no nosso país. O meio utilizado é que está errado. Castro defende, ao contrário do governo, um aumento das prestações sociais, de modo a que a mulher possa ficar em casa, a “aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, a educação dos filhos”.
Pois, com certeza. Caro professor. Se é homem, está na carreira errada. Se é mulher, olhe para a sua casa antes de ser mercenária e tentar ganhar dinheiro com a educação dos filhos dos outros. Se é homem, trabalhe por dois fora de casa. Se é mulher, trabalhe por dois dentro de casa. Mas trabalhem, para que os professores e educadores possam emigrar!
Vai mais longe:  “Portugal tem de dar mais força às famílias, pôr os nossos portugueses a produzir em Portugal e não fora”. “Devíamos dar muito mais valor à família e ao valor da mulher em casa". Pois, claro. O país precisa de produzir mais. Como? Mantendo a mulher em casa! Pois!!!

Haja alguém com sabedoria no colégio cardinalício...

... Alguém que diz, ao JN, o seguinte: “O trabalho da mulher a tempo completo, creio que não é útil ao país. Trabalhar em casa sim, mas que tenham de trabalhar de manhã até à noite, creio que para um país é negativo. A melhor formadora é a mãe, e se a mãe não tem tempo para respirar como vai ter tempo para formar?".

Ainda bem que o Vaticano respira saúde, modernismo e renovação! Mulheres para casa, já!

Pintelho

Poupe nos empregos

Não se fala de outra coisa. O número mágico é o 0,14. 14%, dizem os media, para parecerem chic.
Se vai no trânsito, aposto que está a ouvir algum locotor de voz profunda e carregada a anunciar que o desemprego bateu nos 14%.
Se viu o jornal da noite, aposto que os mesmos 14% lhe apareceram em letras garrafais.
Se lê jornais, acredito que qualquer manchete é feita por este número.
Nós, no Púbico, somos conformistas à norma e, como tal, temos que fazer manchete deste número.
Não o quero desvalorizar. Note-se, é terrível. Após este pressuposto, sigamos em frente com o texto.
Eu, por cá, estou convicto de que isto está perfeitamente alinhado com a estratégia de governo de Coelho. Corta nos rendimentos, corta nas regalias, corta nas prestações sociais, corta nos empregos. Alguém pode acusar estes senhores de incoerência?
Não me parece que esta coerência seja aquela de que o país precisa, mas é a coerência que o país, ou a grande maioria dele, elegeu.
Ao engano ou não, mas elegeu. O governo da vassoura. Varre os subsídios, varre os apoios na saúde, varre os apoios na educação, varre os empregos… Já ameaçou, até, varrer os cidadãos do país para fora. Querem governar um deserto, governem-no, pá.
A CGTP já anunciou greve geral para 22 de Março. A UGT opõe-se. Cheira-me que há muitos sindicalistas ugêtistas que também andam de vassoura na mão…
Afinal, este governo tem conseguido muitos feitos! Conseguiu:
- Aumentar o desemprego;
- Aumentar a dívida pública;
- Diminuir as exportações.

Um forte, fortíssimo aplauso para o governo do Coelho, o governo da vassoura… Até ao dia em que os mesmos portugueses de brandos costumes que o elegeram peguem nas suas próprias vassouras!

 Pintelho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os Professores, a Escola e os meninos Piegas

Bem sei que chego atrasado às aulas, caros colegas piegas, e que o snehor Professor já proferiu estas palavras anteontem, mas também quero atirar a minha bolinha de papel colada com cuspo pelo tubo da caneta, para depois fazer pieguice e dizer aos papás que o senhor Professor me chamou piegas.

Pois bem, para os mais distraídos, o PM, na passada noite de Segunda-feira, apelidou os portugueses de "alunos piegas".  Portugal de "escola", e o governo de "professor". Foi ainda mais longe. Referiu que, do alto dos seus 47 anos, já presenciou muitos encontros de antigos estudantes e que só os "profes" menos complacentes é que são recordados.

Cá no burgo, eu recordo-me dos profes que, complacentes ou não, mais me ensinaram.
Recordo-me, acima de todos, da pessoa que me ensinou (brilhantemente, diga-se de passagem), matemática. Não era o meu professor, mas o explicador (espero que Coelho não se lembre de dizer que a troika é o explicador). Um senhor completamente abandalhado, que me dizia assim "se não tens paciência para duas horas de explicação, falta à primeira!". E eu faltava. E atrasava-me, e fazia todas essas pieguices de menino rico que paga as explicações para gozar feriados.
E não é que, feliz da vida, recuperei de um "mísero" 13 para um "vinte" no exame nacional, com esta filosofia piegas? Mas com a confiança, complacência e cumplicidade, até, do meu explicador.
O austero era o Professor (espero que não seja meu leitor), que insistia em reforçar os meninos menos piegas, os marrões, que com notas piores nas avaliações tiravam melhores notas na pauta.
Um mundo de aparências.
Não sei por que motivo havia de mudar este meu modo de pensar. Se o prepotente governos que se diz "professor" é o mesmo cujo ensinamento do "combate à dívida" levou a mesma a aumentar em 6.000 ME desde a entrada da troika.
E, não querendo ser chato, senhor professor austero, a dívida só vai aumentar, até que os sorvedouros financeiros não tenham mais uma gota para sugar.
Não basta já de reforçar os meninos betinhos que, dissimuladamente, se aproveitam da situação para lucrarem, em detrimento de um sistema justo, prejudicando os demais, os piegas?
Não será hora de perceber que talvez os piegas não devam mais continuar a alimentar estes papões de "boas notas na pauta"?

Eu, por cá, estou numa de "Basta, porra!"

Pintelho

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ortografia dos tempos modernos

Graça Moura cancelou, desde ontem, a aplicação do Acordo Ortográfico (AO) no CCB. Mota Amaral e outros dois deputados do PSD Açores já fizeram saber que estão dispostos a pressionar a AR para que Portugal suspenda a aplicação do AO. Afinal, apesar de as regras ditarem que, após ratificado por três estados-membro da CPLP, os acordos passam a vigorar, há estados subscritores que ainda não o assinaram.
Eu, por cá, sou um tipo às esquerdas que, neste caso, acha a decisão dos tipos da direita muito correctas - mas nada corretas.

A ver o que sai daqui...

Pintelho

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Anita vai à bolsa

Pois é, quase que poderia ser este o título da nova empresa bolsista norte-americana.
Mark Zuckerberg entregou, ontem, em Wall Street, a documentação para passar a cotar o "seu" Facebook (doravante, FB) em bolsa.
Após, aos 19, o "puto" (e seus amigos, pois todos os putos têm amigos) ter criado a rede social mais utilizada em todo o mundo, após ter recusado 1.000 milhões de dólares, dinheiro fácil, oito anos depois, e com a senioridade dos 27, é o principal accionista de uma empresa cujo valor se estima entre os 75.000 MD e os 100.000 MD.
E como? Disponibilizando uma rede social gratuita, a caminho dos 1.000.000.000 utilizadores (14% da população mundial). E como se geram receitas? Publicidade, muita. Aplicações,algumas. Mas, sobretudo, vendendo. Vendendo o quê? Tudo. Todos os passos, todos os cliques, os likes, os subscribes, os comentários, as palavras usadas pelos seus utilizadores. Este será, certamente, o próximo passo do gigante americano - vender as bases de dados às companhias que anseiam por saber, com um detalhe nunca anteriormente sequer sonhado, os perfis dos seus consumidores - e dos seus potenciais consumidores, sobretudo.
Se, por um lado, não deixa de ser uma ferramenta poderosa, por outro, é assustador como todos nós, utilizadores do FB, aceitamos sem questionar ceder todos os nossos dados à empresa do "puto" a troco de uma experiência social grátis.
A verdade é que, se por um lado nunca estivemos tão ligados aos outros: amigos, conhecidos, e até desconhecidos, independentemente das distâncias, por outro, nunca estivemos tão expostos.
São os dois pratos da balança que, teimosamente, assediados pelo famoso "It's free and always will be", milhares de utilizadores, diariamente, acabam por não pesar.
E o Mark vai à bolsa, ainda antes de fazer oito anos.

Pintelho