Este Sábado, enquanto apanhava boleia para a estação de caminhos-de-ferro, ouvi, pela milionésima vez, a música "Someone Like you", da artista Adele. Note-se que a artista é-o não porque canta bem, mas porque é criativa ao ponto de culpar o facto de ser uma fala-barato pelos problemas vocais surgidos por fumar que nem um animal. Juro que a culpa é de falar demais.
Foi então que me apercebi. Algo de errado se passa com esta música.
Só pode ter algum tipo de mensagem subliminar que pretenda conquistar o mundo. Que outro motivo poderia haver para que passasse tão frequentemente na rádio? Arrisco-me mesmo a dizer que, em cada duas músicas que a rádio transmite, uma é esta!
"Nota-se mesmo que não ouves rádio, Pintelho!", diz a Pintelha.
Chegados ao Porto, num jantar - por sinal, bem bom! - eis que a música volta a passar... No restaurante. "Vês?", "É coincidência!".
Ainda no restaurante, ainda no mesmo jantar... E não é que passa pela terceira vez?
Eu não quero exagerar. Nem posso, porque as evidências estão do meu lado!
Dei-me, então, ao trabalho de perscrutar as letras de tão afamado tema. Para não enviesar a minha tese, procurei partir do pressuposto de que não haveria, então, qualquer tentativa de controlar o mundo.
Na primeira quadra, a cantora dirige-se a um ex-namorado que, não tendo gostado da sua companhia, se apaixonou e casou com outra companheira. Os sentimentos de raiva, ciúme e ódio surgem, então. Será que a Adele é capaz de destruir o mundo por causa de um amor incompreendido? Prossegui.
Nas duas linhas posteriores, a cantora toma a dianteira, chamando covarde à pessoa que a abandonou. Vamos com calma, que afinal talvez esteja a afunilar as suas emoções e não haja aqui qualquer plano diabólico…
Contudo, na quadra seguinte, referindo que para ela a história ainda não terminara, a cantora demonstra ser capaz de uma agressividade incontrolada. Fico, então, na dúvida. Haverá algum plano de controlo do mundo com esta música excepcionalmente aguda?
Eis então que, no refrão, a cantora revela todo o seu plano de conquista mundial.
Ironizando contra o amor perdido, afirma peremptoriamente que encontrará alguém como ele, pobre diabo.
“”Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead, "
Yeah”
Diz ela… Com que frieza, atroz, usa as palavras do amado para o ameaçar com a dor, seguido de um maléfico “YEAH!”? É óbvio, notório, e irrefutável que a cantora perde aqui o seu controlo emocional, voltando todo o seu poderio – fruto das quantidades de nicotina no cérebro – contra todo o mundo, incorporado, aqui, pelo seu ex-companheiro.
Segue recordando o passado, melancólica, como que a armazenar energias para levar a cabo a conquista mundial. Insiste, depois, na necessidade de lutar, e retoma o maléfico “”Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead, "
Yeah”.
É então que, após mostrar arrependimento pelo sabor agridoce que o fim da relação lhe deixou na boca, Adele usa a sua mais poderosa arma, os agudos capazes de controlar o cérebro humano, em dose dupla. Retoma o refrão, duas vezes seguidas, como que a preparar a humanidade para a destruição.
Terminado o tema, e já com alguma sanidade mental perdida, fico sem qualquer dúvida quanto a intenção da autora. Estou certo de que, com tais agudos, o tema provoca pequenas mudanças sinápticas a nível cerebral.
Estou certo, ainda, de que o tema foi estudado para que, repetido até à exaustão, todos os humanos se transformem num exército de escravos da Adele, com o único objectivo de abater o ex-namorado.
As primeiras vítimas, obviamente, foram os pivots de rádio, cuja missão é, agora, retransmitir a mensagem, vezes e vezes sem conta. As próximas vítimas serão os cidadãos automobilizados, que a ouvem, vezes e vezes sem conta.
Cabe-me a mim, cidadão não automobilizado, lutar, solitário, contra este plano de controlo mundial. Fica o alerta! Oiçam, por favor, Karma Chameleon, de Culture Club, música que, descobri, tem o plano de apagar da memória colectiva toda e qualquer música que persista em ficar no ouvido. Após trautear o refrão três ou quatro vezes, a música anterior desaparece. É uma música igualmente maléfica mas que, neste caso, será o antídoto possível. Como sabem, o antídoto é feito do próprio veneno…
Pintelho
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