Eu acho bem, e acho os nomes pomposos. Senão, notem: além de uma marcada cisão entre os dois grandes centros urbanos (com direito ao título de “áreas metropolitanas de Lisboa e Porto") e o resto do país, encontramos um Norte marcado a Rios. Encontramos uma Capital Europeia da Juventude divorciada da Cultura, e duas cidades que, cada vez mais, faz sentido que se unam, separadas em regiões diferentes. A indústria do Vale do Ave e o Cávado de costas voltadas, dois centros urbanos que partilham, inclusivamente, uma das maiores Universidades do país sem qualquer ligação, sem serviços partilhados, sem transportes, doença crónica que se vive entre Braga e Guimarães.
E a lista segue. Tâmega e Sousa divorciados do Douro e da área metropolitana do Porto, Beiras retalhadas, com a Serra da Estrela, só por ser alta, isolada.
No centro, deixamos os rios e passamos a orientar-nos por pinhais. O Pinhal Interior Norte, o Pinhal Interior Sul e o Pinhal Litoral. “Entalada” entre o Porto e o Pinhal litoral não temos uma área, mas duas, cheias de vitalidade e prontas a migrar, como quase todas, creio, com este mapa. Aveiro / Baixo Vouga e Baixo Mondego.
Depois descemos e encontramos um envelhecido Médio Tejo, onde os efeitos desta política já se fazem sentir, e fortemente, no Sistema de Saúde, nomeadamente ao nível do Centro Hospitalar Médio Tejo que, com o nome à frente do tempo, adopta agora medidas ao estilo "apesar-dos-Kms-de-distância-somos-todos-um-e-os-doentes-que-andem-100Km-para-chegar-ao-"piso"-com-a-especialidade-que-pretendem".
Num Alentejo que se quer unido e cativante para os sectores
primário e secundário, o retalho continua. Ele há-o para todos os gostos: Alto,
Central, Litoral e Baixo. Entaladas entre o Alentejo e a Área Metropolitana de
Lisboa, a Lezíria, pobre coitada, e o Oeste.
Lá em baixo, impávida e serena, a região autónoma do Reino
Unido a que chamamos Allgarve.
Se, para o Porto, Lisboa e Algarve, o mapa é vantajoso, a mim, parece-me, que ao querermos poupar em empresas
municipais, unindo serviços e esforços que, em abono da verdade, trarão efeitos
muito benéficos, este mapa, a ser o final, intensifica clivagens
entre litoral e interior, entre as grandes urbes e os pequenos concelhos e, a
espaços, afasta ainda mais os que precisam de se unir.
De qualquer forma, esquecendo os 18 distritos e passando às
25 regiões, mais as duas autónomas, acho que quero voltar à primária… E levar
reguadas até decorar os nomes e as localizações de tantos Pinhais, Rios e Alentejos, como nos bons velhos tempos!
Pintelho
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