Pertenço à geração que cresceu nas redes sociais.
Ainda no Ensino Básico, o Hi5. Mais tarde, o fotolog.com. No secundário, fechei a conta do Hi5, por não a saber gerir,e não aprendi com o erro. Os blogues seguiram-se, e multiplicaram-se. Depois fechei-os, por má gestão.
Ainda experimentei o Twitter, mas a coisa não é para mim. Mantive-me fiel ao MySpace, durante anos a fio. Fácil de gerir, intuitivo, e com um grupo de contactos relativamente bem controlado.
Seguiu-se o grande "crash" do MySpace. Sem pachorra, eu como milhões de utilizadores, fechei a minha conta e aderi ao Facebook. Diz-se que quem não está no Facebook, não existe. Pobre mãe.
Comecei por adicionar amigos próximos, depois amigos menos próximos e, por fim, conhecidos e até desconhecidos. A minha fantástica capacidade de gestão de redes sociais não me ajudou.
O meu perfil na rede social do Peter contém muita informação. Gosto de a partilhar, seguindo a lógica de que não há problema, pois o conteúdo é para amigos...
Mas dei por mim, há uns tempos a questionar-me "Mas quais amigos?"
Há ali gente que nem conheço! Isto para não falar no contrato que mantemos com o Facebook, que utiliza toda a nossa informação a seu bel-prazer.
E é essa uma das principais perversões que assombram as redes sociais, sobretudo as maiores, como o Twitter ou o Facebook. A das "amizades". Gosto muito do perfil "clean" do Linkedin, em que estabelecemos, simplesmente, conexões.
Claro que o Linkedin tem um âmbito muito mais restrito que o do Facebook. O Linkedin é uma ferramenta de trabalho e de promoção profissional, e e os grupos que se estabelecem são, maioritariamente, grupos de discussão académico-profissionais.
No Facebook partilha-se tudo. Fotos de noitadas, caras que não convém partilhar com o chefe (a minha chefe é minha "amiga" no Facebook, onde a minha foto de perfil me mostra a "assaltar" uma chaminé industrial), piadas de gosto mais ou menos duvidoso, e a lista continuaria, como o leitor bem sabe.
No Facebook podemos ver adolescentes com hormonas pululantes a flirtar aqui e ali, por todo o lado, "relacionamentos" voláteis, "complicados" até... Podemos ser "amigos" daquele par de mamas que nos chamou a atenção e espalhar charme por detrás de uma confortável barreira, até ao dia...
Gosto, confesso, de partilhar tudo o que me vem à cabeça no Facebook (no Linkedin, não o faço). Não gosto, contudo, da ideia de "amigos" que desconheço terem acesso à minha localização, aos meus gostos, interesses, actividades, ...
Todos estes novos conceitos introduzidos pela rede social norte-americana são assustadores. E se, fora da "rede", as coisas fossem assim?
Foi com esse intuito que, para começar o ano, optei por fazer a minha "rede" na "rede" assemelhar-se à minha rede real. Portanto, caro leitor, se o seu nome no Facebook começa por "A", e ainda recebeu o "link" para esta posta, está de parabéns. De alguma forma, está na minha rede.
Amanhã são os "B's"...
Pintelho
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