terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Para quem gosta de história

Podemos, desde já, comparar o novo imperialismo franco-alemão com o praticado no passado.
Entre o jogo dos empréstimos, da dívida, e dos "comissários" com poder de veto e governação e a visão romântica - ainda que sangrenta - das batalhas a cavalo, acredito que, no Ensino Básico, a versão do "Imperialismo do século XXI" vai ser mais difícil de explicar.
Espero que, quando os senhores do Império do Meio [da Europa] se voltarem para agregar Portugal, os nossos líderes tenham o bom-senso de dizer "Não!". Infelizmente, não deposito em Cavaco nem em Coelho essa confiança.
Até lá, podemos ir assistindo a mais uma jogada imperial na Grécia.

Pintelho

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um fim-de-semana histórico para o jornalismo português

Ao longo dos poucos dias que este blogue tem de vida, o leitor já se deve ter apercebido que ando meio de candeias às avessas relativamente ao jornalismo português.
Este fim-de-semana acompanhei o Congresso histórico da CGTP pelos jornais e por uns breves cinco minutos de televisão.
Carvalho da Silva, figura histórica da Central Sindical e do pós 25 de Abril em Portugal, abandona o secretariado-geral. Substitui-o, com uma tarefa complicada, não só pela responsabilidade de tomar o lugar de um líder carismático - goste-se ou não -, mas também pela conjuntura em que chega ao topo da hierarquia sindical, Arménio Carlos. Ex-deputado do PCP, representa a maioria, que nele votou e que o elegeu, numas eleições em que correu sem opositores.
Correntes minoritárias da CGTP como socialistas, católicos ou bloquistas, manifestaram divergência de opinião durante o processo eleitoral. Houve inclusivamente, abstenções.
Um acto, portanto, perfeitamente normal em democracia.
Após as eleições, com uma unidade típica naquela central, representantes do PS, BE, e ala católica, assumem Arménio Carlos como o líder de toda a CGTP, e não como o líder comunista da CGTP em que o Partido goza de uma hegemonia.
Estranho seria, num processo democrático, ganhar a minoria.

Os nossos media, contudo, para não variar, procuram tirar nabos da púcara "Arménio não representa minorias", "Abstenção de militantes bloquistas", "Católicos descontentes",...
Ligo a televisão, Sábado de manhã, e tenho a infelicidade de presenciar uma entrevista deplorável a Carlos Trindade, líder da corrente socialista da central.
-"Então, e o que acha da eleição de mais um nome comunista como líder da CGTP?"
- "É o líder de todos nós, eleito democraticamente e, portanto, de plenos direitos!"
-"Mas sei que discordam de algumas das posturas do novo secretário-geral..."
-"Como sabe, as correntes minioritárias debateram, no devido tempo, a candidatura de Arménio Carlos. Acredito que o debate a enriqueceu e formou um Secretário-Geral ainda mais forte. O processo decorreu com normalidade e agora é o líder de todos nós."
-"E não acha que as minorias estão mal representadas?"
-"Como minorias, não poderíamos ter uma maioria executiva. Estamos representados de forma proporcional, e unidos em torno de um novo SG que representa todos os sindicalistas da CGTP!"
-"Mas... É um comunista [nota: as palavras poderão não ter sido exactamente estas, mas a ideia está cá]..."
-"Como disse, na devida altura, debatemos a candidatura, que elegemos democraticamente. Repito que Arménio Carlos é, agora, o secretário-geral de todos, e não apenas dos comunistas!"
- "Vá lá, diga lá que está descontente, por favor..."

E assim, de um congresso histórico para a CGTP, a esmagadora maioria das notícias relega para segundo plano a substituição do histórico líder (concorde-se ou não com as opiniões do mesmo), preferindo entrar em polémicas inexistentes. Como se nos dias que correm desse mesmo jeito aos trabalhadores verem os sindicatos fraccionados...

Mas este discurso, o da crise, o do "'tá tudo mal, pá!", o das polémicas, tablóides, e afins é, infelizmente, o maioritario e democraticamente eleito, em processo de audiências, pelos consumidores de jornalismo em Portugal. É, portanto, o jornalismo de todos nós.
Resta-me esperar que os jornalistas que procuram fazer jornalismo mais sério, informativo e credível deixem de ser censurados. Mas isso seriam outros quinhentos.

Desta púbis vai uma merecida homenagem para o homem que, ao longo de vinte e cinco anos, defendeu até às últimas consequências aquilo em que acredita. Precisamos de pessoas assim! Comunistas, socialistas, sociais-democratas, o que seja. Precisamos de mulheres e homens assim.

Pintelho

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Que viva España!

É oficial.
Os feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro passam a ser celebrados ao Domingo.

Eu acho bem. Afinal, o PR acaba de promolgar um diploma que, basicamente, diz "A nossa Independência de Espanha, bem como a Implantação de um Regime republicano, são tão pouco importantes que podem perfeitamente passar a ser celebrados num outro dia qualquer, desde que a malta trabalhe muito e não pense no orgulho de ser português e viver em República!".

Afinal ed contas, será muito boa ideia passarmos a ser novamente uma região de Espanha, e viver sob a alçada do rei Juan Carlos (o Presidente da República, de qualquer forma, já anda a fazer as malas...)!

Eh!, pá... E depois há aquela categoria da coroa na bandeira. Eu acho bem! E os touros nas arenas!  Apoiado...


Pintelho

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Novo mapa

Na senda de medidas impostas pela troika a Portugal, o governo ensaia já, segundo o Público, aqui, um novo modelo de gestão autárquica, que abrirá caminho à regionalização.
Eu acho bem, e acho os nomes pomposos. Senão, notem: além de uma marcada cisão entre os dois grandes centros urbanos (com direito ao título de “áreas metropolitanas de Lisboa e Porto") e o resto do país, encontramos um Norte marcado a Rios. Encontramos uma Capital Europeia da Juventude divorciada da Cultura, e duas cidades que, cada vez mais, faz sentido que se unam, separadas em regiões diferentes. A indústria do Vale do Ave e o Cávado de costas voltadas, dois centros urbanos que partilham, inclusivamente, uma das maiores Universidades do país sem qualquer ligação, sem serviços partilhados, sem transportes, doença crónica que se vive entre Braga e Guimarães.

E a lista segue. Tâmega e Sousa divorciados do Douro e da área metropolitana do Porto, Beiras retalhadas, com a Serra da Estrela, só por ser alta, isolada.

No centro, deixamos os rios e passamos a orientar-nos por pinhais. O Pinhal Interior Norte, o Pinhal Interior Sul e o Pinhal Litoral. “Entalada” entre o Porto e o Pinhal litoral não temos uma área, mas duas, cheias de vitalidade e prontas a migrar, como quase todas, creio, com este mapa. Aveiro / Baixo Vouga e Baixo Mondego.

Depois descemos e encontramos um envelhecido Médio Tejo, onde os efeitos desta política já se fazem sentir, e fortemente, no Sistema de Saúde, nomeadamente ao nível do Centro Hospitalar Médio Tejo que, com o nome à frente do tempo, adopta agora medidas ao estilo "apesar-dos-Kms-de-distância-somos-todos-um-e-os-doentes-que-andem-100Km-para-chegar-ao-"piso"-com-a-especialidade-que-pretendem".

Num Alentejo que se quer unido e cativante para os sectores primário e secundário, o retalho continua. Ele há-o para todos os gostos: Alto, Central, Litoral e Baixo. Entaladas entre o Alentejo e a Área Metropolitana de Lisboa, a Lezíria, pobre coitada, e o Oeste.

Lá em baixo, impávida e serena, a região autónoma do Reino Unido a que chamamos Allgarve.

Se, para o Porto, Lisboa e Algarve, o mapa é vantajoso, a mim, parece-me, que ao querermos poupar em empresas municipais, unindo serviços e esforços que, em abono da verdade, trarão efeitos muito benéficos, este mapa, a ser o final, intensifica clivagens entre litoral e interior, entre as grandes urbes e os pequenos concelhos e, a espaços, afasta ainda mais os que precisam de se unir.

De qualquer forma, esquecendo os 18 distritos e passando às 25 regiões, mais as duas autónomas, acho que quero voltar à primária… E levar reguadas até decorar os nomes e as localizações de tantos Pinhais, Rios e Alentejos, como nos bons velhos tempos!

Pintelho

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Intervalo

Este blogue começa a ter mais intervalos que tempos úteis, pensa o leitor.

Mas é verdade. Um blogue que se quer divertido e dinâmico não sobrevive em momentos de afectos e emoções menos positivos. Portanto, o tasco voltará ao activo quando o autor se sentir em condições de "mandar c@r@lh@d@s...".

Até lá, boas blogadas.

Pintelho

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Um clique pró Cavaco

Caro leitor,

Este tasco está, neste momento, sob o rigoroso escrutínio da troika do Google, actualmente em fase de verificação para participar no programa da multinacional americana "Google AdSense".

Após semanas intensas de negociações, o Púbico encontra-se próximo de fechar acordo com a Google.
O argumento fatal surgiu das dicas deixadas pelo Arrastão, pela Jugular e pelo Paulo Querido, dinamizadores do flash mob solidário "Uma moeda pró Cavaco". Hoje, pelas 17h30m, enquanto o PR acarta as despesas de receber o Primeiro Ministro espanhol, os que puderem (pena estar eu em Braga) vão solidarizar-se com o Professor, atirando-lhe moedas de caridade, no Palácio de Belém.
Eu, por cá, não podendo comparecer, acordei com a Google.com que, durante Janeiro e Fevereiro, e mal os anúncios estejam activos neste blog, os primeiros 500.000 clicks reverterão, na íntegra, para o PR de Portugal (qualquer verdade nestas frases será pura coincidência).
Portanto, caros leitores, associem-se ao evento no Facebook, na blogosfera ou, brevemente, através do Púbico AdSense. Eu, por cá, confesso que preferiria a versão "moedinha" à versão click mas, à falta de melhor... Aguardo ansiosamente as imagens desta tarde!

Pintelho

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Conspirações "pop"


Este Sábado, enquanto apanhava boleia para a estação de caminhos-de-ferro, ouvi, pela milionésima vez, a música "Someone Like you", da artista Adele. Note-se que a artista é-o não porque canta bem, mas porque é criativa ao ponto de culpar o facto de ser uma fala-barato pelos problemas vocais surgidos por fumar que nem um animal. Juro que a culpa é de falar demais.

Foi então que me apercebi. Algo de errado se passa com esta música.

Só pode ter algum tipo de mensagem subliminar que pretenda conquistar o mundo. Que outro motivo poderia haver para que passasse tão frequentemente na rádio? Arrisco-me mesmo a dizer que, em cada duas músicas que a rádio transmite, uma é esta!

"Nota-se mesmo que não ouves rádio, Pintelho!", diz a Pintelha.

Chegados ao Porto, num jantar - por sinal, bem bom! - eis que a música volta a passar... No restaurante. "Vês?", "É coincidência!".

Ainda no restaurante, ainda no mesmo jantar... E não é que passa pela terceira vez?

Eu não quero exagerar. Nem posso, porque as evidências estão do meu lado!

Dei-me, então, ao trabalho de perscrutar as letras de tão afamado tema. Para não enviesar a minha tese, procurei partir do pressuposto de que não haveria, então, qualquer tentativa de controlar o mundo.

Na primeira quadra, a cantora dirige-se a um ex-namorado que, não tendo gostado da sua companhia, se apaixonou e casou com outra companheira. Os sentimentos de raiva, ciúme e ódio surgem, então. Será que a Adele é capaz de destruir o mundo por causa de um amor incompreendido? Prossegui.

Nas duas linhas posteriores, a cantora toma a dianteira, chamando covarde à pessoa que a abandonou. Vamos com calma, que afinal talvez esteja a afunilar as suas emoções e não haja aqui qualquer plano diabólico…

Contudo, na quadra seguinte, referindo que para ela a história ainda não terminara, a cantora demonstra ser capaz de uma agressividade incontrolada. Fico, então, na dúvida. Haverá algum plano de controlo do mundo com esta música excepcionalmente aguda?

Eis então que, no refrão, a cantora revela todo o seu plano de conquista mundial.

Ironizando contra o amor perdido, afirma peremptoriamente que encontrará alguém como ele, pobre diabo.

“”Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead, "

 Yeah”

Diz ela… Com que frieza, atroz, usa as palavras do amado para o ameaçar com a dor, seguido de um maléfico “YEAH!”? É óbvio, notório, e irrefutável que a cantora perde aqui o seu controlo emocional, voltando todo o seu poderio – fruto das quantidades de nicotina no cérebro – contra todo o mundo, incorporado, aqui, pelo seu ex-companheiro.

Segue recordando o passado, melancólica, como que a armazenar energias para levar a cabo a conquista mundial. Insiste, depois, na necessidade de lutar, e retoma o maléfico  “”Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead, "

 Yeah”.

É então que, após mostrar arrependimento pelo sabor agridoce que o fim da relação lhe deixou na boca, Adele usa a sua mais poderosa arma, os agudos capazes de controlar o cérebro humano, em dose dupla. Retoma o refrão, duas vezes seguidas, como que a preparar a humanidade para a destruição.

Terminado o tema, e já com alguma sanidade mental perdida, fico sem qualquer dúvida quanto a intenção da autora. Estou certo de que, com tais agudos, o tema provoca pequenas mudanças sinápticas a nível cerebral.

Estou certo, ainda, de que o tema foi estudado para que, repetido até à exaustão, todos os humanos se transformem num exército de escravos da Adele, com o único objectivo de abater o ex-namorado.

As primeiras vítimas, obviamente, foram os pivots de rádio, cuja missão é, agora, retransmitir a mensagem, vezes e vezes sem conta. As próximas vítimas serão os cidadãos automobilizados, que a ouvem, vezes e vezes sem conta.

Cabe-me a mim, cidadão não automobilizado, lutar, solitário, contra este plano de controlo mundial. Fica o alerta! Oiçam, por favor, Karma Chameleon, de Culture Club, música que, descobri, tem o plano de apagar da memória colectiva toda e qualquer música que persista em ficar no ouvido. Após trautear o refrão três ou quatro vezes, a música anterior desaparece. É uma música igualmente maléfica mas que, neste caso, será o antídoto possível. Como sabem, o antídoto é feito do próprio veneno…



Pintelho

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Concerto

Governo, UGT e CIP recuaram na meia hora de trabalho extraordinário.
Mas retiram quatro feriados, obrigam a quatro pontes, e retiram os três dias de férias por assiduidade.
Adeus férias.

Por hoje, nada mais. Amanhã talvez pense no assunto...
Pintelho

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Estratégia em 24 caracteres

Deng Xiaoping resumiu, em tempos. a estratégia de crescimento da superpotência comunista de forma concisa, profunda e eficaz. Hoje, pouco mais de dez anos após a sua morte, a mesma potência arrisca a ser o principal líder mundial, sem grande esforço, já que as leis da inércia parecem aplicar-se, também, aos mercados.
Dizia o líder: "Observem com serenidade; protejam a vossa posição; tratem dos assuntos com serenidade; dissimulem as vossas capacidades e não se precipitem; excelem na manutenção de um perfil baixo (dissimulem a ambição); e nunca reclamem a liderança (não ponham as garras de fora)".
Pois bem, olhando para dentro de casa, temos uma EDP chinesa, com dois portugueses na frente dos principais órgãos de gestão.
Estratégia: aprender. Crescer. Posicionar-se. Na verdade, Mexia e Catroga serão falsos chairmen, dado que, pouco a pouco, verão a Três Gargantas persuadi-los a agir de acordo com os seus interesses.
E assim a China continuará a crescer na Europa. Catroga é um óptimo nome. Ligações ao governo PSD / PP mantêm uma posição forte dos comunistas junto de um governo centro-direita europeu.
Mexia é popular, conhece os cantos à casa, e pode ensinar.

O cenário multiplica-se, em inúmeras empresas, Europa fora, e a paciência chinesa, cuja estratégia não se desenha em anos, mas em décadas, surte, pouco a pouco, efeito.

O "império do meio" expande, cresce e aglomera pelo que, mais do que analisar esta estratégia tão disseminada e apoiada por Pequim, este post pretende apenas deixar no ar a questão: daqui a dez anos, quando o novo líder tiver aprendido os costumes ocidentais, e concretizado a ambição, sem nunca a demonstrar, como estará a frágil e debilitada Europa? Isto se ainda estiver de pé...

Fica a curiosidade. Alguém tem respostas?

Pintelho

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Psicologia do dinheiro

Caro leitor,

Sou assumidamente um consumidor da era dos bits e bytes.
Mas esta manhã, enquanto caminhava para o local de trabalho, dei por mim a pensar na evolução do dinheiro, e dos seus impactos no consumo, sobretudo nos últimos anos. Na verdade, não pensei mais que alguns segundos, mas o suficiente para gerar um post.

Antes do aparecimento da moeda, trocávamos bens, e o valor da coisa dependia da necessidade de quem transaccionava. Era a era da necessidade.

Depois, perdeu-se a piada toda, e começámos a trocar papeis e chapinhas metálicas.
Nessa altura, dávamos realmente valor ao dinheiro, porque era visível. Aparecia e desaparecia das nossas mãos. Pensávamos duas vezes antes de deixar o impulso consumista levar a melhor. O consumismo dava, então, os primeiros passos.

Recentemente, com o sistema bancário em alta, o dinheiro de plástico apoiou o fenómeno. O consumidor deixou de entregar algo físico em troca do produto, para passar a introduzir um PIN. Ainda assim, a introdução do PIN reveste-se de um sentido de "autorização para" que, apesar de constituir um acto rápido e discreto, trava o consumo. Contudo, este handicap, muito inteligentemente, tem sido contornada na última geração de lojas.

Sou um consumidor de produtos App Store e iTunes. Entrei hoje no Android Market, mas ainda não lhe associei um cartão de crédito, pelo que as linhas que se seguem dizem exclusivamente respeito ao excelente trabalho dos psiconomistas da Apple.

Quando criamos um Apple ID, são-nos pedidas meia-dúzia de informações, fáceis e rápidas de preencher. E pequenos sinais verdes (verde significa aprovação. Todos queremos ver sinais verdes. Vermelho é para parar...) vão reforçando o preenchimento dos espaços. Assim, quando se trata de preencher os campos referentes ao cartão de crédito, estamos emocionalmente receptivos a introduzir essa informação. E esse é só o primeiro passo para fomentar um novo estilo de consumo. Não só fornecemos dados que permitem aos fornecedores debitar-nos dinheiro, como o fazemos com um sorriso nos lábios.

Posteriormente, ligamo-nos à App Store, e a password só nos é pedida uma vez por cada sessão. Ao limite, uma sessão dura tanto como a bateria do iDevice que estamos a utilizar. E a App Store esta está recheada de aplicações grátis. E habituamo-nos a carregar no "Free" (a cinzento) e vê-lo passar a um verde "Install app". Descarregamos, usamos e não deitamos fora, fica a ocupar espaço.

Até que chega o dia em que a aplicação que tanto nos chama a atenção tem um cinzento 0,79 euros. Tâo pouco? Eu gosto de ver o botãozinho verde. Gosto mesmo, e até é bem maior que o cinzento. E pimba. Mudamo-lo para verde com um simples toque no ecrã. "Buy app". Pois, está bem. E ela lá nos aparece no iDevice. Igualzinha às grátis. Nem notamos a diferença. Até que, uns dias depois, são menos uns trocos na conta. Uns dias depois, já algumas aplicações como esta foram descarregadas. E outras, mais dispendiosas. Tudo por causa do "verde" no registo, do "verde" que associamos a "grátis", a "descarregar", do imediatismo (se estivermos ligados por Wi-Fi, então, uma aplicação instala-se em segundos) e, sobretudo, da camuflagem quase perfeita do acto de comprar. E o iTunes, que organiza logo as nossas compras por artista, álbum, género, ano, tudo com direitos pagos, e por míseros cêntimos, e muito mais rápido do que sequer o tempo de irmos à loja de discos mais próxima, comprar um disco para...

Esta foi só mais uma das batalhas que a Nokia perdeu. A batalha dos sinais "verdes". Gastar dinheiro, com a Apple, é divertido. E assim se gerou um mercado milionário, às custas de cêntimos. Novos desenvolvimentos, aguardam-se. Por cá, facilmente imagino os adultos a gastarem dinheiro como miúdos brincam com carrinhos. Só que estes carrinhos são mais dispendiosos, no final de contas.

Pintelho


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Robin Hood

A Segurança Social está a notificar 127 mil beneficiários para devolverem dinheiros que lhes foram indevidamente entregues.
Segundo o dn.pt, o valor notificado corresponde aos primeiros 7% das dívidas ao estado a serem resgatados.
Eu acho bem. Muito bem, aliás.
Partindo, desde logo, do princípio de que quem recebeu estas prestações indevidamente não pertencerá, na esmagadora maioria, a famílias abastandas, e de que o erro foi do estado, lembrei-me de pensar. E quando um Pintelho pensa, está o caldo entornado.
Ora se eu me enganar e pagar a mais a alguém, com que desplante vou eu, passados 8 anos, reclamar os trocos que "me devem". Ou que eu transformei. De erro meu, passaram a dívida dele. Pois!
Depois há aquela máxima Robinhoodiana de que se deve tirar aos pobres para dar aos ricos.
Temos 117.000 pessoas responsáveis por 7% da dívida. Imagino, pois, que haja 93% da dívida que, não correspondendo a prestações sociais, estejam nas mãos de alguém mais poderoso que estes beneficiários, cujo dinheiro lá será usado para financiar os pobres dos banqueiros.
Mas eu acho bem, porque as garantias destes 7% são em muito superiores às dos restantes 93%, onde há poder para contratar advogados, iniciar contendas judiciais morosas e, convenhamos, chatas para caraças.
Não me tira o sono ir pelo caminho fácil do "dei-te a mais, dá-mo cá de volta senão penhoro-te os bens que tens e, mais provavelmente, os que não tens!". Já ir contra os senhores que levam os lucros a tributar na Holanda, com um batalhão de advogados atrás, é pá, é chato, deixa-os andar, que até são amigos.

E assim vão os pobres continuando a pagar a crise dos ricos. Mas a culpa é dos pobres, que não se souberam fazer ricos. Portanto, acho muito bem.

Pintelho

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mira técnica

Uma das vantagens dos blogues é que neles podemos concretizar os nossos sonhos.

Portanto, esta estação retoma a sua emissão regular amanhã. Hoje, o dia é de trovoada.

Pintelho

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Isto é que é saber poupar

Eu pertenço àquela geração que já não achava grande piada a estudar as dinastias no ensino básico. Na verdade, acreditava que decorar cognomes fosse uma perda de tempo, sobretudo porque podê-los-ia consultar a qualquer hora numa enciclopédia.

Aparentemente, a geração dos nossos actuais governantes, não contente com a ideia de existirem repositórios, pretende poupar no novo imposto sobre o armazenamento da informação.
Afinal de contas, que outro motivo poderá haver para que, num novo portal do governo, mais intuitivo e fácil de navegar, desapareça grande parte das referências a executivos anteriores?

Por cá, dei voltas e mais voltas à cabeça, até concluir que, além da poupança no infame imposto que legitima a pirataria, o governo poupa em comparações entre, por exemplo, o charme de José Sócrates e o de Coelho, em que o primeiro, garantidamente, levaria a melhor.

Poupa, ainda, em notas negativas a História de Portugal. Se não existe no site do Governo no Magalhães, então nunca foi verdade, setôra.

Queremos, pois, acreditar, que o mais fácil apra ultrapassar o difícil momento que Portugal atravessa será, seguindo o exemplo do portugal.gov.pt, ignorar o passado. Caros leitores, esqueçam todos os direitos adquiridos com a democracia. Após as referências à maçonaria desaparecidas, aos documentos originais do dossier Sócrates desaparecidos, aos governos anteriores a Coelho desaparecidos, só nos resta uma condição à qual nos agarrarmos: a qualidade de vida austeridade.

Pintelho

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

(Des)igualdades

Um estudo recente da União Europeia em seis países-membros com dificuldades orçamentais (Portugal, Espanha, Grécia, Reino Unido, Irlanda e Estónia) revela que nos seis quer ricos quer pobres estão a pagar a crise.

Até aqui, tudo bem. Mais ou menos…


O esforço exigido aos ricos deverá ser ponderadamente maior, pois estes podem e... 1% da riqueza dos ricos é uma fatia bem maior que 1% da pobreza dos pobres...


Pois bem, o estudo (cuja análise remonta ao final do primeiro semestre do ano passado) revela que, dos seis analisados, Portugal é o único país em que o rendimento dos dois decis da população mais pobres diminuiu mais que o dos decis mais ricos (6,1% contra 3,9%).

O índice Gini, um dos principais indicadores de distribuição de riqueza aumentou, pela primeira vez, desde 2003, ano em que iniciou uma tendência de descida sustentada até 2009 (sendo "0" a total inexistência de desigualdades).

Os dados remontam ao governo Sócrates. Contudo, caro leitor, o aumento de impostos cegos como o IVA, a diminuição das prestações sociais (que não são propriamente dirigidas ao percentil 95), entre outras medidas do governo PSD não auguram futuro melhor para o índice Gini português.

Recordo-me de Sócrates prometer poupar os mais pobres. Recordo-me de, com outra face, outra cor partidária, mas o mesmo objectivo de consolidação orçamental, Coelho prometer igual. Será?


Caros governantes. Num período em que vivemos obcecados por finanças, por números, por dinheiro, nada me surpreende que Vossas Excelências sejam cegas às desigualdades, que se refugiem nas falsas igualdades de certas medidas, e que não vos tire nem um minuto de sono que cada vez mais famílias tenham dificuldade em colocar algo em cima da mesa para comer.

Dou-vos de barato a despreocupação.
 

Mas agora a sério, falando a vossa linguagem, não acham que medidas que realmente toquem mais no bolso dos mais ricos que no dos mais pobres vão trazer mais dinheiro para o lado do estado? Senão vejamos, os 20% mais ricos têm, indubitavelmente, mais dinheiro que os 20% mais pobres (por definição de riqueza). Vejamos ainda (se a memória não me falha, algures no sétimo ano, aprendemos o conceito de percentagem) o impacto de um aumento de 17% no preço de produtos “de luxo”.


Façamos o exercício.

Um determinado produto básico produzido em Portugal era, em 2011, taxado a 6%. Em 2012, como empobrecemos, passa a ser considerado um produto “de luxo”. Custava, em 2011, 1 euro (IVA incluído).

Um cidadão anónimo tem 485 euros de rendimento mensal. Soares dos Santos tem um rendimento mensal com tantos dígitos que não caberia neste blogue.


a)      Quantas unidades deste produtonacional que passa a ser um luxo consegue o cidadão anónimo comprar com o seu salário, após o aumento do IVA?

R: 485 / 1, 17 = 414 (assumindo que não podemos comprar partes, nem ficar a dever). O poder de compra deste senhor desceu, efectivamente.

b)      Quantas unidades deste produto nacional que passa a ser um luxo consegue Soares dos Santos comprar, com o seu rendimento, após o aumento do IVA?

R: Qual produto nacional? Mas eu agora só compro erva holandesa…E o Pingo Doce nem foge aos impostos… Juro… Os lucros é que pagam impostos na Holanda! Acha mesmo que eu estou para perder milhões com esta brincadeira? Isso fica para os pobres que, não podendo emigrar para a Holanda, também não têm lucros a tributar.


Caros governantes. Acreditam mesmo que caminhamos para uma sociedade mais justa com estas medidas?


Pintelho
Fonte:
Público - Austeridade induz aumento da desigualdade em Portugal

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um post que veio com 10 anos de atraso

Leio hoje, com algum espanto, no Público que na base do cálculo das isenções de taxas moderadoras estão, nada menos, que os Censos 2001.
Não, não há engano, caro leitor. Como sabe, a estatística em Portugal ainda é processada por ábacos e, como tal, as decisões tomadas em 2012 não podem basear-se nos Censos 2011. Isso ocorrerá, de acordo com fontes púbicas, lá para 2022... Se a madeira dos ábacos não apodrecer entretanto.
Assim, temos uma alteração a uma lei estruturante do SNS (onde irá ele parar, daqui a 10 anos, com os censos 2011?) que sai com 10 anos de atraso, pelo menos nas estimativas de impacto.

Eu acho até boa ideia que o INE, que tanto exulta os participantes dos seus estudos a pensarem no dia "21 de Março", passe a pedir, nos Censos, uma previsão. Assim, teríamos um cabeçalho apelativo, que diria algo no género "Responda na Internet ou em papel - Tenha como referência o dia 21 de Março de 2021, e forneça-nos a sua melhor estimativa, de modo a que, quando terminarmos o tratamento, os dados se encontrem actualizados".
O inquérito prosseguiria e, por exemplo na questão 4, ler-se-ia "Às 00h do dia 21 de Março de 2021, estará presente no alojamento?". A probabilidade de eu saber a resposta com exactidão é exactamente a mesma com que respondi à questão na versão original, a mesma que vai ser tratada para as leis de 2022.

Ora, e agora imagino eu... Não há dúvidas que desde 2001 ninguém nasceu, ninguém morreu, ninguém se casou, nem divorciou, nenhumas famílias mudaram de situação financeira, geográfica e demográfica e, como tal, as previsões do impacto das medidas anunciadas estarão com cerca de 0,001% de margem de erro...

... Ou talvez não!

E assim controlamos o défice... De há dez anos.

Pintelho

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O preço da moralidade

Créditos ao Filipe Costa e ao Pablo Fernández-Navarro pelo saborosíssimo jantar, tanto pela francesinha como pela animada conversa, que deu o mote a esta posta.

Ontem jantei no Porto, cidade por mim tão querida.
E paguei uma francesinha, pela primeira vez, com dois dígitos à esquerda dos cêntimos.
E esta posta nasce com os 17% de aumento dos preços nos restaurantes, serviços de luxo - a tão badalada taxa máxima do IVA.

Pois saberão os Púbicos leitores (e os menos púbicos também) que uma conversa entre amigos, à mesa e bem regada, terá forçosamente como tema o sexo, as drogas e o rock'n'roll. Não me recordo de qual a ordem por que apareceram os temas, mas a reflexão foi produtiva.

Enquanto se falava da receita extraordinária que a subida do IVA irá (ou não) gerar, e no desaparecimento virtual anunciado da fuga fiscal na Suécia (contra os mais de 20% do PIB que escapam ao fisco em Portugal), veio à baila o mercado da prostituição, que cai naquele vazio legal do "Não é crime prostituires-te, mas não é legal e, por isso, não pagas imposto. Até és um sortudo, hein?".

Não é difícil atirar para a casa dos milhões a receita fiscal produzida por um mercado legalizado, fiscalizado e controlado por uma autoridade de saúde pública. Não se trata de incentivar o que quer que seja. Antes, trata-se de olhar para um mercado que existe, e que foge ao sistema, controlando-o com benefícios para prestadores de serviço, clientes e, naturalmente, o Estado.
O argumento do conviva granadino - a partir de agora denominado neste post como o advogado do diabo, ou nem tanto - prendia-se com o poder da ICAR que, historicamente, não vê a prostituição com olhos divinos. E não é preciso estar em Portugal há mais que uns meses (como é o caso) para perceber que, cá no burgo, a instituição romana tem um poder nada negligenciável.
É nesta fase que entra o rock'n'roll. Ou então, aquela máxima de que o dinheiro compra tudo, excepto a felicidade. Neste caso, ideologias não são felicidade.

Já imaginaram uma aldeia, conservadora e pacata, com pouco mais de 700 habitantes que, em determinada altura, recebe a notícia que, durante três dias, receberá um festival rock com 30.000 ou 40.000 almas a beberem, fumarem, sabe-se lá a fazer mais o quê, essas coisas do demo, e a ouvirem música aos berros?
A reacção será imediata. Não queremos. Mas o poder local teima.
No primeiro ano, os jovens vêm, fazem a festa, consomem, esgotam todos os stocks de tudo e mais alguma coisa que a aldeia, desprevenida, detinha, e a aldeia vê-se numa situação financeira interessante. Na edição seguinte do festival, há gala na aldeia. Os símbolos associados ao festival multiplicam-se pelas ruas, os quintais das casas vendem os produtos que os habitantes produzem ou, se não há produção própria, pelo menos improvisam-se bares, o festival já é "a tradição" da aldeia e os aldeãos saúdam efusivamente os festivaleiros. Esta história passava-se, até há poucos anos, numa aldeia do Norte do país, que muitos conhecerão pelo festival. Vilar de Mouros. Mas repete-se, Europa fora, por inúmeras festividades. A receita, está provado, gera receitas.

Fenómenos como o da prostituição originam bairros, como os que podemos ver em cidades holandesas e alemãs, que vivem desse mercado. Cá em Portugal passa-se o mesmo, mas de forma encapotada. Acredito, caro leitor, que quando as receitas da prostituição começarem a pesar, ligeiramente ou nem tanto, nas balanças do estado e dos bairros associados à mesma, o fenómeno será bastante semelhante ao vivido nestas pequenas e conservadoras aldeias.

Enquanto se falava em festivais, e na necessidade de o estado gerar receitas em mercados que fogem ao fisco, veio à baila a recente notícia de que a ASAE teria confiscado cerca de 700.000 euros em drogas nas smart shops, por alegada má rotulagem. Peanuts, quando comparado com o valor facilmente imaginado na casa dos milhões que poderia proporcionar um imposto sobre os canabinóides (se mais de metade do preço que o consumidor paga por um volume de tabaco fica para o estado, não me choca nada imaginar o peso deste mercado paralelo). A lógica que cá se aplica é a mesma da que referi para a prostituição. Um produto de consumo, controlado pela autoridade nacional de Saúde, com um valor altíssimo em impostos, maior segurança para o consumidor e, em última instância, mais barato, pois a especulação de que estes produtos vivem por serem ilegais desapareceria, naturalmente. Mais uma vez, note-se, não se trata de um incentivo ao consumo, mas de capitalizar, com vantagens para todas as partes (excepto traficantes intermediários), um mercado que existe e nos passa ao lado.
Chegamos, pois ao ponto deste post em que os argumentos morais contra a legalização das drogas leves se colocam. Contudo, olhando para cima, creio que estou em vias de perder o último leitor da coisa, pelo que deixo a moralidade à moral de cada um.

É, pois, após todos estes caracteres que chego à única frase relevante deste post. Caro leitor, se leu tudo o que está acima, o meu mais sincero pedido de desculpas. Vamos reiniciar:


O preço da moralidade

Créditos ao Filipe Costa e ao Pablo Fernández-Navarro pelo saborosíssimo jantar, tanto pela francesinha como pela animada conversa, que deu o mote a esta posta.

Caro Púbico leitor, apenas tenho, hoje, uma pequena reflexão para deixar no ar. E é que sobre para um dia em cheio.

"O país precisa de dinheiro, e há mercados que, por A ou B, fogem à máquina do estado. Não serão, pois, os momentos de crise os melhores catalizadores da mudança social?"

Pintelho

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Responsabilidade social é que era

Poucas semanas depois de o executivo ter sugerido aos professores que emigrassem, é agora o principal accionista do grupo Jerónimo Martins, detentor de marcas como o Pingo Doce, um dos primeiros a dar ouvidos ao apelo.
Os Soares dos Santos, uma das famílias mais ricas do país, vendem a sua participação no grupo empresarial à sua subsidiária na Holanda. É mais ou menos um vá para fora. cá dentro. Só que o que vai para fora, é precisamente aquilo que devia ficar cá dentro.
Numa altura em que o Estado Português tanto precisa de receitas, pois que melhor exemplo a seguir? Se os que realmente fazem "mossa" nas finanças do estado fogem...
Claro que José Soares dos Santos, administrador da Francisco Manuel dos Santos, já veio aos escaparates desmentir que se trate de uma evasão fiscal. Ao que o Púbico conseguiu apurar, a venda da posição na Jerónimo Martins à subsidiária holandesa "é pá, é só para renovar os ares! Nós não pretendemos fugir ao agravamento fiscal. O nosso único intuito é poupar uns trocos para fumar e passear no red light district".
Ora, com tão bom álibi, quem se atreve a apontar um dedo que seja? Mas que causa tão socialmente responsável!
José Soares dos Santos vai ainda mais longe, afirmando que "a saída para a Holanda não se trata de mais que um passo na nossa estratégia de crescimento. Em breve, os portugueses poderão, nas verdejantes hortas do Pingo Doce, encontrar junto ao tomate espanhol e à beterraba alemã, cannabis holandesa, a nossa mais recente aquisição!".

Eu por cá, não tencionando emigrar para a Holanda, fico muito contente por saber que os "tubarões" da economia nacional dão o exemplo.

Pintelho

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cortar o matagal

Pertenço à geração que cresceu nas redes sociais.
Ainda no Ensino Básico, o Hi5. Mais tarde, o fotolog.com. No secundário, fechei a conta do Hi5, por não a saber gerir,e não aprendi com o erro. Os blogues seguiram-se, e multiplicaram-se. Depois fechei-os, por má gestão.
Ainda experimentei o Twitter, mas a coisa não é para mim. Mantive-me fiel ao MySpace, durante anos a fio. Fácil de gerir, intuitivo, e com um grupo de contactos relativamente bem controlado.
Seguiu-se o grande "crash" do MySpace. Sem pachorra, eu como milhões de utilizadores, fechei a minha conta e aderi ao Facebook. Diz-se que quem não está no Facebook, não existe. Pobre mãe.
Comecei por adicionar amigos próximos, depois amigos menos próximos e, por fim, conhecidos e até desconhecidos. A minha fantástica capacidade de gestão de redes sociais não me ajudou.
O meu perfil na rede social do Peter contém muita informação. Gosto de a partilhar, seguindo a lógica de que não há problema, pois o conteúdo é para amigos...
Mas dei por mim, há uns tempos a questionar-me "Mas quais amigos?"
Há ali gente que nem conheço! Isto para não falar no contrato que mantemos com o Facebook, que utiliza toda a nossa informação a seu bel-prazer.

E é essa uma das principais perversões que assombram as redes sociais, sobretudo as maiores, como o Twitter ou o Facebook. A das "amizades". Gosto muito do perfil "clean" do Linkedin, em que estabelecemos, simplesmente, conexões.
Claro que o Linkedin tem um âmbito muito mais restrito que o do Facebook. O Linkedin é uma ferramenta de trabalho e de promoção profissional, e e os grupos que se estabelecem são, maioritariamente, grupos de discussão académico-profissionais.
No Facebook partilha-se tudo. Fotos de noitadas, caras que não convém partilhar com o chefe (a minha chefe é minha "amiga" no Facebook, onde a minha foto de perfil me mostra a "assaltar" uma chaminé industrial), piadas de gosto mais ou menos duvidoso, e a lista continuaria, como o leitor bem sabe.

No Facebook podemos ver adolescentes com hormonas pululantes a flirtar aqui e ali, por todo o lado, "relacionamentos" voláteis, "complicados" até... Podemos ser "amigos" daquele par de mamas que nos chamou a atenção e espalhar charme por detrás de uma confortável barreira, até ao dia...

Gosto, confesso, de partilhar tudo o que me vem à cabeça no Facebook (no Linkedin, não o faço). Não gosto, contudo, da ideia de "amigos" que desconheço terem acesso à minha localização, aos meus gostos, interesses, actividades, ...

Todos estes novos conceitos introduzidos pela rede social norte-americana são assustadores. E se, fora da "rede", as coisas fossem assim?

Foi com esse intuito que, para começar o ano, optei por fazer a minha "rede" na "rede" assemelhar-se à minha rede real. Portanto, caro leitor, se o seu nome no Facebook começa por "A", e ainda recebeu o "link" para esta posta, está de parabéns. De alguma forma, está na minha rede.

Amanhã são os "B's"...

Pintelho

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O esperto cavalo Hans

Esta manhã, como tem vindo a ser meu hábito, descarreguei o jornal Público. Mal vi a capa, perdi a vontade de o "folhear".

Diz a capa "16 temas que vão definir o ano de todos os medos". Mas espera aí, medo?! Por que é que têm que me impingir "medo" na capa de um meio de informação? Eu não compro o medo!
Por dentro "Um governo sem Plano B", "O ano do grande empobrecimento", "Sob a ameaça da recessão global", petróleo a subir, euro a colapsar, guerra no Irão, Portugal tomado pelos estrangeiros... E a panóplia continua. São 16 medos, 16 profecias, nas quais Portugal desaba, a Europa não quer saber e o mundo brinca às guerras de poder.
Os tempos não são, efectivamente, de vacas gordas, nem de grandes expectativas, mas dedicar 9 páginas de um dos jornais diários de referência em Portugal a profetizar que o ano que celebramos será uma terrível efeméride, e que devíamos saltar para 2013 parece-me claramente um sintoma dos media que temos.
Se ligarmos a televisão, arriscamo-nos a, numa notícia tão inócua como o "bebé do ano", ouvir a jornalista questionar à mamã "Não tem vergonha de ser mãe nos tempos que correm, em que a crise domina a actualidade e a sua filha não terá qualidade de vida? Criminosa...".
Eu, por cá, não compro!

Pois bem, a ciência está cheia de exemplos mais ou menos conhecidos de um efeito poderosíssimo denominado de expectativas auto-confirmatórias (em inglês self-fulfilling prophecies). O cavalo Hans, que sabia resolver problemas matemáticos, o efeito de Hawthorne, Pigmalião, a ameaça dos estereótipos e o incontornável placebo mostram-nos que o simples acto de acreditarmos em algo aumenta fortemente a probabilidade de que esse algo se torne realidade.

O problema é que a economia - nacional e global - é feita por pessoas. Os mercados não são cegos, e as pessoas que neles se movimentam são tão vulneráveis a este efeito - dado adquirido, e incontornável - como quaisquer outras. Desde logo, o senhor jornalista que prevê que 2012 vai ser um ano mau. O leitor, que ao ler tal, abranda o consumo. O jogador da Bolsa, que vende e não compra. O ministro, que poupa e não pensa em crescer. O empresário que já se imagina a ter que despedir para que a empresa sobreviva, e despede, o banqueiro,... E a lista continua.

Tudo isto, caro leitor, para lhe explicar que, neste espaço, o pessimismo fica de fora. Por cá, não pretendo ser o aluno que, ao acreditar que vai tirar negativa no teste, aconteça o que acontecer, não se preocupa em estar atento nas aulas e deixa de estudar para, mais tarde, se lamentar com um "Eu sabia...".

Eu não compro o medo dos media. E não lho quero vender. Aqui falamos com realismo optimista, e vamos dar a volta.

Fica a primeira reflexão, inacabada (para que o placebo surta efeito), do ano e do blogue.
Por cá, prometo falar-vos antes dos "16 temas que vão marcar o ano da esperança na reviravolta".

Pintelho

Boas-vindas

Caro investidor,

Há cerca de dez anos, dois blogues mais ou menos púbicos inspiraram-me a entrar nestas lides. Eram eles O meu Pipi e O Gato Fedorento (alguém sabe onde param estes senhores tão quase-anónimos que escreviam no Gato?). Assim, e porque a intenção era incomodar alguma gente, fazer comichão, e tocar nas feridas provocadas por alguns chatos da sociedade, nasceu o Diário de um Pintelho.
Durante cerca de três anos, um púbico adolescente, à esquerda, mas virado à palhaçada também, escrevia por detrás de uma máscara mais ou menos sólida. Até que a relativa popularidade da coisa me impediu de prosseguir. Não estava à altura do desafio imposto por centenas de olhos atentos e prontos a lançar farpas sobre tudo quanto deste teclado saía para o ecrã.

Dez anos depois, continuo a não me sentir preparado.
Contudo, ultimamente tenho retomado leituras interessadas, e o bichinho foi crescendo, crescendo, e cá está ele a ver a luz do dia, mais ou menos anónimo, despretensioso e, sobretudo, constituindo um local de desabafo.
Por que não reabrir o Diário? Sobretudo por preguiça. Reorganizar aquela barra lateral constitui, per se, um desafio do qual não me considero à altura. Portanto, e na onda de privatizações que se avizinha para 2012, e de alienação do património, também o Pintelho privatizou a sua obra púbica, agora exposta nesta página.
A todos quantos quiserem seguir-me, desde já fica a advertência: não haverá piadas de bom gosto, não haverá crítica fundamentada, nem um único laivo de literatura. Apenas especulação, a ver se, quando o espaço for a leilão, os chineses o comprar por algo mais que uma bagatela. Também não pretendo agradar à Gordinha, nem à Presidenta. Afinal de contas, nos dias que correm, pêlos púbicos são quase tão impopulares como as medidas da troika.

Aos que não desistiram a meio desta primeira posta: parabéns. A partir daqui, é sempre a piorar.

Bem-vindos,
Pintelho