sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Consenso

Confesso que não deu.

 
Ontem, pelas vinte horas, António José Seguro fazia uma jogada política de mestre.

Curto e grosso, e surpreendendo aqueles que, no PS, aguardavam uma declaração de abstenção "em nome da pátria", conseguiu vários objectivos. O primeiro, representar eficazmente o partido que representa. O segundo, numa atitude claramente populista, angariar simpatizantes de centro, aqueles que decidem eleições, ao apresentar uma indignação tão "plebeia", a mesma que todos, neste momento, sentimos. O terceiro e, provavelmente, mais importante, condicionou fortemente a entrevista que o Primeiro-ministro viria a dar, uma hora mais tarde, na sua residência oficial.
Foi curto e grosso, como disse, e não poderia ser de outra forma. Aplaudo.

 Já após as vinte e uma, foi no conforto e segurança da sua residência, evitando manifestações que, teimosamente - vá-se lá saber porquê - teimam em rodear este governo, que Coelho respondeu às questões colocadas pelos elementos da RTP.

Não sei bem que pensar da postura de um PM tão "orgulhosamente só", a lembrar outros tempos. Se, por um lado, usava a máscara do salvador incompreendido, e transmitia um discurso de "vocês, os 10 milhões, vão dar razão a mim e à minha equipa, um dia, mais tarde", por outro, deixava-me com os nervos em franja, admitindo uma abertura ao diálogo em certas condições. E as condições são claras: eu falo convosco, mas o único cenário que admito é a vossa mudança de posições. Eu, por amor à pátria, vou até ao fim. Fiquei ainda com a percepção de que, apesar do teatro e das máscaras venezianas, PPC encontra-se fragilizado. A forma como se esquiva às acusações de dentro da coligação e do partido denota uma clara falta de argumentos. E se não conseguimos argumentar para dentro, como seremos capazes de convencer os de fora?
E, perdoem-me, púbicos leitores, mas este blogue foi, é, e manter-se-á fora das laranjas.
 
Foi com um certo sentimento inevitável de pena - a sério, ver o nosso PM tão moribundo faz-me sentir pena pelo país - que abandonei a entrevista a meio. Era claro que nada mais PPC tinha a acrescentar. Infelizmente, ele já se terá apercebido que a política governativa e medidas de gabinete climatizado que impõe ao país não surtirão efeito. Não vão resultar. Só lamento que seja incapaz de admitir erros e fracassos e de procurar alternativas reais.

Desviei-me do consenso, já sei. Mas a verdade é que, a Passos Coelho, reconheço um mérito. O mérito de unir os portugueses, de todas as cores político-partidárias, da esquerda à direita, do interior do seu partido, inclusive, contra as medidas injustas, ineficazes e altamente prejudiciais para o país e, sobretudo, para aqueles que fazem o país - as pessoas.

 Posto isto, este senhor deveria dar ouvidos ao consenso nacional e dialogar, não à sua maneira, mas na verdadeira acepção da palavra, com os seus parceiros sociais. E, se não for pedir demais, arranje-se outro governo, que ter o país, em estado tão débil, a ser governado por pessoas manifestamente incompetentes (já não há dúvidas disso), não me parece ser uma boa forma de retomar um bom rumo.

 Confesso que não deu. Para manter o sarcasmo fora deste blogue. Nem para ver a entrevista até ao fim, pois corria o risco de ataque cardíaco por excesso de cortisol.

 
Pintelho

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Discurso do estado da púbis

Caros e púbicos leitores.

 
Algures durante a noite passada, num convívio habitual, um conviva irritava-se com tudo o que fosse cor-de-laranja e lhe aparecesse à frente. Quem o pode censurar?

Nessa hora, após perder um lápis de cor laranja que entre os convivas circulava, pensei estar na altura de quebrar o silêncio sobre o circo governamental instalado.
 
Hoje, ao acordar, ainda pensei ser hora de escrever um discurso daqueles "à Pintelho", a insultar humoristicamente um Coelho, as Relvas e o Gasparzinho. Mas, enfim, ponderei melhor... E concluí que, efectivamente, brincar com a situação que o país e, concretamente, aqueles que, cada vez menos, ainda têm trabalho, atravessam seria algo de muito mau gosto.

Creio que, neste momento, a situação se tornou grave o suficiente para que já não tolere piadolas sobre governantes incompetentes que querem, à custa dos mesmos, dos que menos podem, resolver uma situação que também ajudaram a criar. Não, por mim, acabou-se a última pintelhice de humor que este blogue ainda tinha.
 
Algo que me irrita profundamente é que os tão sábios governantes da coligação não dominem as regras da lógica. Vejamos:

Se um aumento de impostos (A) em 2012 leva a uma quebra de receitas (C) por via de uma diminuição dos encaixes no imposto sobre o consumo (IVA) (B), então, por que carga de água é que, em 2013, um aumento de impostos (A) não levará a uma quebra no consumo (B) e consequente diminuição das receitas (C)? Serei eu o único iluminado? Claro está, já nem entro no campo da transferência de rendimentos dos trabalhadores para as empresas que, pobres que andam, precisam de mais. E depois, com aquele discurso molengão (cá para mim é propositado, para que as pessoas não o oiçam até ao fim, de tão irritadas e dormentes que ficam), ouvimos o Gasparzinho, qual fantasma da crise, anunciar que a redução da TSU das empresas não vai ser absorvida pelas margens de lucro. Ora, pois não… E medidas que o desincentivem? “Pois, vamos ter medidas que o desincentivem fortemente, a sério. Juro, juro…”. E ainda temos a crença no Pai Natal, com qualquer coisa como um “Acredito fortemente que as empresas produtoras de bens e serviços vão reduzir aos preços, reduzindo, assim, a quebra do rendimento disponível das famílias...”.

Ora, quando o nosso país está entregue a políticos que ainda acreditam no Pai Natal, algo não está bem.

Arrelia-me ainda a atitude da UGT que, apesar da afronta desmesurada àqueles que representa, insiste em não rasgar o acordo de concertação social. Não sou sindicalizado e, estando de fora, racho lenha, mas com centrais sindicais destas…

A oposição em bloco condena as medidas anunciadas pelos suspeitos do costume. Eventualmente, eu já vi este filme, mesmo que, na altura, o PS ainda não estivesse contra. O governo aprova medidas socialmente insuportáveis, o Presidente da República, cada vez mais uma figura de estado das revistas cor-de-rosa, abstém-se das suas responsabilidades políticas, e o TC chumba, mas só “para o ano (2014)”. Assim sendo, lá temos o Passos com o que pretende. Um país mais pobre (já dizia o outro, a antecipar o seu sucessor), menos satisfeito e competitivo e, a este ritmo, com uma agitação social crescente.

É por isso, púbicos leitores, que acho que deveríamos considerar aberta a época oficial de caça ao Coelho, de corte de Relvas, de arrombamento de Portas, de caça aos fantasmas, pois o Gasparzinho afinal não é um fantasma bom, entre outros espécimes que se possam cruzar com o nosso caminho.

Portugal, assim, não! Prefiro uma selecção que atira cinco bolas ao poste num jogo a uma equipa de governantes que insiste em marcar auto-golos, daqueles que contam a favor dos que menos precisam.
Pintelho
 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Prometo a mim mesmo nunca escrever sobre 11 tipos pagos a peso de ouro atrás de uima bola...

... Juro. Prometo.

Oh!, pá, mas posso falar sobre a minha gorada tentativa de deixar a onicofagia?
Pronto, então cá vai!
Vão praticamente duas semanas desde que encetei a minha tentativa para deixar esse terrível vício, quase mortal (que o diga o meu peritoneu).
Pois é, tive uma recaída, e cá me confesso…
Olá, o meu nome é Pintelho, roo as unhas e a culpa é do Ronaldo.
“Olá, Pintelho!”, responderão vocês, onicófagos anónimos (OA).

Pois bem, escrevo este post em busca de opiniões sábias de outros OA.
Ontem, enquanto Portugal entrava mal no jogo, a primeira recaída. O mindinho da mão direita via a sua protecção de queratina reduzida ao mínimo indispensável à sobrevivência sem dor. Mer**, pensei.
Seguiu-se um bom período em que voltei a jurar nunca mais recair, graças à ajuda dos meus amigos Pepe e Postiga. Uff…. Assim vai dar para me manter fora do vício.
Mas não muito tempo depois, tudo piorou.
Não culpo a Dinamarca. Não são meus compatriotas, vai na volta são dealers de instrumentos cirúrgicos utilizados para operar apendicites, enfim… Fizeram o seu trabalho. Quem não fez foi o Ronaldo.

 Muito se falou ontem sobre a forma como o nosso 7 reage à pressão, sobre a infelicidade na finalização, etc. Ora, perdoem-me… Se eu errar, sou responsabilizado. Se errar gravemente, sou chamado à atenção. Se repetir esse erro, há justa-causa para despedimento por inadaptação ao posto. Mas este senhor, que ganha por minuto – mesmo a dormir – mais que eu por mês, é um “mal-amado”, um incompreendido… Francamente! Responsabilizem o homem, “goddamn it”, que ele até tem costas largas e ganha o suficiente para poder arcar com responsabilidades. Fez um jogo para não esquecer - e aprender com ele.

Mas voltando ao assunto desta posta. Com os falhanços do Ronaldo e o empate, é óbvio que não foi só a queratina do mindinho direito que se foi abaixo. Foi a do esquerdo também, e dos anelares, médios, indicadores e polegares. Não descalcei os sapatos porque assisti ao jogo num auditório e achei por bem poupar os restantes espectadores ao espectáculo de me verem ingerir até as unhas dos pés! Mas nos últimos minutos já estava tentado, porque a ressaca era tremenda...

Está claro que a minha intenção há duas semanas era óptima! Aproximavam-se umas férias, tempos calmos, propícios a deixar o vício. Comprei pastilhas elásticas, selos de queratina daqueles que se colam no braço, mas nada disso resultou perante tal ataque de nervos.
Felizmente, felizmente, quando já não havia mais unha para roer, o Varela recebeu a bola na área. Pimba, mordidela no dedo após desastrado falhanço… Mas o homem lá se redimiu em dois segundos.

Assim sendo, e porque o Paulinho da tranquilidade me deixou intranquilo, aqui deixo a minha declaração de intenções de o processar a ele e ao 7, pela intranquilidade inesperada que me fez retomar este vício tão terrível. Vou pedir uma indemnização bem choruda e gastá-la nos melhores nail-corners da região.
Que têm a dizer-me, queridos OA?

Agora já sem unhas, venha o sumo de laranja mecânica.


Pintelho

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Muda de vida

Esta posta bem podia ser um tributo ao mestre António Variações, mas não é, desenganem-se.
É, antes, uma apreciação do desempenho português no Your Better Life Index, da OCDE.

Ao entrar na página, o leitor depara-se, em letras garrafais, com o primeiro importante aviso à navegação que, no caso português, está a ser feita pela tripulação do Coelho: "Há mais na vida que os frios números do PIB e das estatísticas económicas".

Pois, disso já sabemos todos... Menos o Executivo.

Mas sobre governos, pouco mais adianta. Este estudo é sobre pessoas, sobre o que elas pensam e fazem. E é disso que vamos falat.

O estudo, graficado em flores, cobre 11 temas da vida de cada um dos 36 países-membro da OCDE.
São abordados temas relacionados com o bem-estar material, como o alojamento, emprego e rendimentos. Há ainda temas relacionados com a qualidade de vida - comunidade, educação, saúde, satisfação com a vida, participação cívica, segurança e equilíbrio trabalho-família.

Sendo eu um apaixonado por estas questões da qualidade de vida, fui investigar Portugal.

Antes de olhar para a frieza dos números, decidi-me a espreitar o entendimento da OCDE sobre a vida em Portugal.
Pode ler-se, algures no relatório, que o português ganha, em média, quatro mil dólares a menos, por ano, que o membro-médio da OCDE. Até aqui, nada de novo, somos pobres. A frase imediatamente seguinte é uma daquelas verdades que apenas o Coelho ignora. Os 20% mais ricos ganham seis vezes mais que os 20% mais pobres, sendo um dos países da OCDE com maior fosso entre ricos e pobres.

Quer-me parecer que tende a aumentar...

No que toca à educação, os números passam de alarmantes a assustadores. 30% dos cidadãos portugueses completaram o 12º ano, em comparação com uma média de 74%...
Em Portugal, estudar cansa. Somos, mesmo, o país com a mais baixa taxa de escolarização do estudo.

Mas nem tudo são agruras. Manter uma casa em Portugal é bastante mais barato que a média, consumindo a casa 18% do rendimento, contra os 22% nos restantes países estudados. Estamos, também, 5% mais satisfeitos com as condições de habitação que a média.

Muitos outros pequenos indícios poderiam ser abordados mas, como o post já vai bastante longo, vamos ao que interessa.

Se, em termos gerais, os indicadores nacionais se enquadram no segundo quartil do estudo, os "menos maus", há alguns indicadores dignos de nota.
Por um lado, o bom desempenho nas questões ambientais, com uma das maiores taxas de renováveis do estudo, e um excelente acesso a água potável, apesar da falta de espaços verdes nas urbes. Acresce um bom desempenho nas questões de equilíbrio trabalho-família, muito por culpa de um menor número de horas de trabalho anuais. Preocupa, aqui, o enorme fosso entre homens e mulheres no que ao trabalho doméstico diz respeito. Ainda somos, sem dúvida, um país machista.

Depois vêm aquelas escalas em que somos "dos piores". O envolvimento cívico / político - não confiamos nas nossas instituições nem nos políticos que nos representam. Será defeito da população?
A comunidade - somos pouco solidários e voluntários. Acreditamos menos nos relacionamentos de amizade. A educação, pelas razões acima mencionadas, comporta-se, também, bastante mal.

Com todos estes prós e contras, o facto mais perturbador prende-se com a satisfação com a vida. Seria de acreditar que, em linha de conta com os restantes indicadores, nos encontrássemos ligeiramente abaixo da média. Contudo, de 0 a 10, os portugueses dão 1 à sua satisfação com a vida, na 35ª posição, e apenas acima da Hungria. Muito abaixo da média.

Somos, pois, um país insatisfeito. Extremamente insatisfeito.
Resta, pois, saber por que é que não aproveitamos essa insatisfação para agir pela comunidade, para nos envolvermos politicamente, para educarmos os nossos filhos, ...

Não será este estudo um cartão amarelo a Portugal? Desta feita, não só ao governo, nem às instituições, mas sobretudo aos cidadãos? Não será hora de canalisar a insatisfação em prol de melhores condições? De um Portugal acima da média? De um país de sorrisos e felicidade?

Saltando de Variações para Palma, "Ai Portugal, Portugal, de que é que estás à espera?".
Eu, por mim, quando estou insatisfeito, mudo. Vamos todos trabalhar para uma mudança colectiva?

Pintelho

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Eu sou da opinião de que a tua opinião está errada

Pois é. Quem é que nunca se cruzou com eles. Os do contra. Os do "não percebes nada disto". Mesmo que a esta frase não se siga nenhum contra-argumento.

Pode ser um conhecido, amigo, familiar, a sogra, o sogro (normalmente estes são sempre do contra), a pessoa com quem dormimos à noite ou aquela que habita o nosso cérebro, mas a verdade é que todos nós conhecemos alguém do contra. Eu não conheço, mas vamos lá acreditar que o que escrevi é verdade...

E quem, caros leitores, nunca assistiu com alguém a uma peça jornalística sobre um tema polémico. As touradas, por exemplo. Que mau exemplo! 

Vem um defensor das touradas argumentar, e eis a personagem (eu nunca seria assim) "Olha-me este, a defender que matar os pobres bichinhos é um espectáculo... Era quem lhe espetasse uma bandarilha nas costas dele...". A peça avança, ouve-se um elemento anti-tourada, e a voz "Estes, também, querem acabar com a tradição... Metam-se na vida deles!".

Ou na política. Ouve-se um deputado de esquerda (a propósito, eu já vos disse que isso da esquerda é uma fantochada irrealista?) criticar o governo, e um desabafo "Queria-te ver no lugar dele!". Peça seguinte, Coelho a falar sobre as medidas que a troika impôs ao país (já vos disse que o 25 de Abril está moribundo?), e um "Devias ter vergonha na cara em fazer isso aos portugueses!".

O meu clube joga mal, mas o dos outros é favorecido pela arbitragem...
Eu vejo sempre a SIC, mas a programação não tem sentido nenhum...
Eu acho uma estupidez as bebedeiras que a estudantada apanha nas Queimas das Fitas, mas já vou combinar a noite dos Alumni...
Eu acho mal o neoliberalismo assustador da Jerónimo Martins, mas andei à pancada para comprar papel higiénico mais barato...

Enfim, eu acho que toda a gente tem direito à sua opinião, ainda que devesse haver alguém que calasse algumas pessoas!

Pintelho

terça-feira, 24 de abril de 2012

O Cravo está murcho

Pois é.

Amanhã comemora-se o 38º aniversário da Revolução dos Cravos em Portugal.
Um dia histórico ao qual, apesar de não ter assistido pessoalmente, não consigo escapar. Afinal, foi um dia - é um dia - que moldou, mais, revolucionou o sistema politico-ideológico nacional.

É com o Cravo na lapela que escrevo a posta de hoje, sobre dois importantes acontecimentos da democracia portuguesa recente.

O primeiro é a ausência da Associação 25 de Abril das cerimónias oficiais de amanhã. De acordo com os militares “a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril e configurado na Constituição”. De facto, apesar de a minha memória do 25 de Abril provir dos relatos de dois comunistas e de vários registos nos media, parece-me estarmos cada vez mais afastados dos ideais - utópicos ou não - que fundaram a revolução.
Aliás, disse o Coelho ao Sol: "Não é preciso ir buscar o dr. Salazar para perceber que os países que querem crescer têm de poder financiar esse crescimento; e que só é possível financiar crescimento com poupança". Ora! Mas então vamos amanhã celebrar o aniversário de quê?! Soares e Alegre já se solidariszaram e não compareceção. Eu também não.

O outro assunto que me inquieta - não, não vou falar sobre o quão assustadora é a ascenção da extrema-direita em França, mas podia - é o novo recuo da UGT, que dá tempo ao Coelho para mostrar resultados.
Pois eu compreendo perfeitamente a posição da Central Sindical do Proença. Juro.
Pensem comigo.
Se o meu trabalho é defender trabalhadores e se a política deste governo se preocupa tanto em que Portugal tenha trabalho para cada vez menos pessoas, então eu vou continuar a ganhar o meu, trabalhando menos. Se não tenho ninguém para defender... Eh!, pá... Coelho, já que insistes, eu até te dou mais um tempinho, vá, vê lá se pões o desemprego acima dos 20% que quanto menos, melhor...

E assim está o burgo em vésperas do aniversário da Revolução dos Cravos. Aproveitemos, pelo menos, o feriado, que é das poucas coisas que ainda podemos aproveitar (por quanto mais tempo?).

Pintelho

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Produtividade

Após uma ausência relativamente prolongada, regresso.

E o texto de hoje é exclusivamente dedicado a explicar a minha ausência. Atentem, púbicos leitores.

Nas circunstâncias actuais do burgo, alguém que produza - textos, neste caso - em quantidades razoáveis pode sair amplamente prejudicado.
Senão notem. Portugal, nas condições que vive, é um país altamente improdutivo. Tão improdutivo que, apesar de os índices de produtividade serem dos mais baixos da Europa, há trabalho para cada vez menos cidadãos.
Então, pensei. E se o Blogger Portugal está a despedir, por excesso de produção literária (bem, chamar literatura a isto é um bocado pretensioso, mas...)? É melhor acalmar, e parecer um português comum. Passar despercebido é sempre uma boa opção nestas circunstâncias.

E foi isso que fiz.
Então, e o que aconteceu depois? - procura saber o púbico leitor.

Depois, recebi um email todo catita da Google. Informavam-me eles que, apesar de a minha produção ser de uma qualidade bastante acima da média violava as normas da Google AdSense. De acordo com a missiva do gigante americano, este blogue tem conteúdos para adulto, facto que os levou a congelarem a subscrição do programa.
Por momentos pensei que tivessem razão. Afinal de contas, a política - principal assunto que tenho abordado no tasco - é coisa de adulto maduro. Depois lembrei-me dos que nos governam, e percebi que a Google está equivocada.

Eis então que, como qualquer português nos dias que correm, tive que voltar ao activo. Só mesmo para mostrar que tenho valor de mercado. Pouco, é certo, como se pretende de um bom trabalhador, mas ainda assim, valor.

Primeiro pensei em desactivar definitivamente o AdSense. Depois lembrei-me que isso seria produzir demasiado num dia só, pelo que isso fica para amanhã. Ou para daqui a um mês, talvez.

Contem com actividade para breve.

Pintelho (agora penso: será pela assinatura?!)

terça-feira, 27 de março de 2012

Olééé

O título deste post podia certamente respeitar à liderança do campeonato pelo "Braguinha", isolado de Benfica e Porto, mas não. Este post tem sangue, suor, não tem lágrimas, tem tortura, sadismo e humilhação.
O post de hoje fala, pois, de tourada.

Hoje, ao folhear o Público, o Púbico encontrou uma notícia que dava como certa no Portal do Governo a vitória da causa de Sérgio pela "Abolição das corridas de touros".

Eu simpatizo com a causa, não o nego, mas francamente, chamar "espectáculo", como se pode ler na descrição da causa, ao acto de espetar bandarilhas no lombo de um animal em sofrimento está, na minha humilde opinião, profundamente errado.
Nestas ocasiões, não consigo reprimir os meus instintos. Penso sempre no sadismo que eu sentiria se um touro gigante aparecesse na arena para espetar bandarilhas nos toureiros. Confesso algum prazer perverso que tenho ao pensar neste "especáculo". Aplaudiria de pé. Será que os touros gigantes gostam de flores?!

Por outro lado, não podia deixar passar em claro o fantástico "espectáculo" que decorrerá no próximo dia 1 de Maio em Barcelos. Ora, este é o momento em que a minha perturbação de personalidade se manifesta e viro apoiante da festa brava.

Então, acho muito bem. É uma tradição bonita de se ver. Barcelos está habituado a receber toiradas! As festas das Cruzes costumam ter... Espera, não costumam... Barcelos não recebe touradas há mais de cinquenta anos, e apesar de ser um concelho cheio de espaço, nem tem uma arena. Mas não interessa, é uma arte bonita de se ver. Aquele sangue a escorrer, tão belo... É tão bonito ver o toureiro a arriscar a sua vida e a torturar um animal. É mesmo bonito!
E o mais nobre, mas mais nobre, é que este ano (como todos os anos, ou não) a festa brava recebe o nome de "Corrida de Touros dos Bombeiros Voluntários de Barcelos".
Eu acho bem. Estes Senhores são heróis, habituados a salvar animais em apuros, por que não emprestarem o nome a uma corrida em que o objectivo é torturar animais? Também o merecem!

Pintelho

quinta-feira, 22 de março de 2012

Lixeira

Hoje é dia de greve, decretada pela CGTP.

Como acho que este blogue anda a ficar muito politizado, e não quero tirar protagonismo a Arménio Carlos, que já tem muito a provar à frente dos destinos da CGTP, hoje, enquanto fazia a minha meia-hora de caminhada matinal, pensava: "Que raio irei escrever?".

Eram pensamentos legítimos, pois não me apetecia encher mais um post de frases feitas sobre uma greve anunciada a uma voz.
Eis, então, que tropeço num saco de lixo. "Que raio..."
Levanto os olhos, e reparo que, pelas ruas, quilos e quilos de lixo se acumulavam à entrada das portas.

Aparentemente, além do pré-aviso, a CGTP deveria ter informado os cidadãos de que os funcionários da recolha de lixo também têm o direito à greve.
A verdade é que, numa cidade em que não se percebe a opção por colocar sacos à porta de casa, sujeitos ao clima e aos animais, em detrimento dos contentores de maiores dimensões, não se compreende também a falta de civismo e brio daqueles que nela habitam.

Hoje, a minha meia-hora de caminhada matinal não parecia ser realizada numa cidade que se diz jovem e irreverente. Antes, parecia encetar-se numa cidade onde o respeito pelos outros, pelos que utilizam os passeios, não existe.

Pintelho

quarta-feira, 21 de março de 2012

A "magia" da TV

Esta manhã acordei com tempo.
Tomei duche, cortei a barba, vesti-me e ainda sobravam uns minutos antes de ir para o trabalho.
"Vou ver as novidades na televisão".
Liguei-a.
Estava na Sic Notícias. Aí tinha ficado, da noite anterior.
"Bom dia, a execução orçamental não está a correr conforme os planos. Menos receita, mais despesa. A troika aplaude." e "Bom dia, o desemprego continua a aumentar. A troika desdramatiza!".

Agora eu questiono. Como é que, com um orçamento tão restritivo como o imposto pelo Executivo de Coelho, quando a execução do mesmo falha redondamente, continuamos a culpar "os outros", e a dizer que "são medidas necessárias"? Medidas necessárias, imagino eu, são medidas que funcionem! Em que mundo andam os cérebros destas pessoas? Como é que a troika continua a dizer que Portugal está no "bom caminho"? A esta eu sei responder. Enquanto os juros forem caindo nos bolsos - nas bolsas - dos poderosos, Portugal continuará a ser um aluno bem comportado. Enquanto continuar a ver o pouco que ainda resta aos portugueses a mudar de dono, esta "entidade" continuará a avaliar positivamente Portugal. Depois, fará como à Grécia.
Como é que o desemprego continua a aumentar e nós, paulatinamente, conformados com o "que se gastou no passado", nos mantemos de cabeça baixa? Aprendemos bem a lição, enquanto alunos bem-comportados que somos.
Amanhã, com as mesmas práticas, serão as notícias diferentes?
Não será hora de acordar e mostrar de vez um cartão vermelho à política que nos levará à ruína?

Pintelho

segunda-feira, 12 de março de 2012

A "emigração parva"

O mesmo executivo que incentivou os portugueses a enugrar vem agora apresentar, por diversas fontes, preocupação com a "emigração parva". Casais com filhos que emigram sem garantias.
O secretário de estado responsável pelo assunto incentiva, agora, a que ninguém emigre sem um contrato de trabalho, dado que os consulados não têm capacidade de resposta.

Agora a sério... Será que estes senhores não compreendem que a política de emigração e as questões laborais são muito mais que uma brincadeira irresponsável? Será que continuaremos por muito tempo a ter à frente dos destinos do país um grupo de cabeças preocupadas em pagar dívidas a qualquer custo, muito superior ao dos juros financeiros?

Não me oferece dizer muito mais. Se não fosse um assunto sério, teria aqui uma pérola humorística sem usar sequer uma palavra minha!

Pintelho

quarta-feira, 7 de março de 2012

Onde é que eu já vi este filme?

Pululava pelas notícias, ontem, uma declaração de preocupação, por parte de responsáveis da troika.
Sem crescimento económico, dizem, Portugal não conseguirá sair da crise. Mas esperem aí. Serei eu o único, pago a peso que não de ouro, a achar que estes senhores, pagos a peso de ouro, não aprendem com os erros do passado? A política imposta pelas três entidades, e avidamente seguida por Passos (o executor), já se provou um fiasco no que à dinamização económica respeita, num outro alvo de intervenção destes "tubarões dos juros", a Grécia.
Será que estes economistas não percebem mesmo nada de economia? Mas então, como chegaram onde chegaram?
À primeira, todos caem, mas à segunda... A mim cheira-me a esturro, e a Alemanha bate palmas.

Pintelho (texto escrito fora de horário laboral, não fosse a coisa dar para o torto com a troika a cair-me em cima por falta de produtividade e estagnação)

terça-feira, 6 de março de 2012

A cultura do medo

Ando distraído.
E como ando distraído, deixei passar, no Público de ontem, um estudo muito interessante.
Denominado de "O estado da nação e o seu avesso", o estudo do filósofo José Gil procura, com base em perguntas com resposta, traçar "o vazio", para o qual não temos resposta.
Ambas as tipologias de indicadores (os "cheios" e os "vazios") são interessantes.
Ficamos, por exemplo, a saber que os portugueses se consideram medianamente felizes, mas não sabemos se gostam mais de admirar ou de invejar. O leitor sabe? E quantos vivem activamente a solidariedade social? Sabemos que há uma maior sensação de aumento da pobreza que na média da UE, mas não sabemos quantos políticos se preocupam com a pobreza. Sabemos que os índices de educação dispararam em flecha, calando as vozes críticas à geração "rasca". Mas não sabemos quais os valores que ficam por ensinar na escola. Sabemos que a corrupção foi debatida em 8 sessões plenárias, de um total de 76 nesta legislatura. Mas não sabemos quantos portugueses se sentem, realmente, representados pelos deputados.
Estes são alguns dos exemplos do ensaio realizado pelo filósofo. Ele continua, é até bastante extenso.

Um dos indicadores que me chamou particular atenção é, curiosamente, um indicador dos que conhecemos, o da criminalidade violenta.
O estudo não aflora essa questão, enveredando antes pela pieguice dos portugueses, pelo "quantos é que não vão emigrar porque têm medo? Quantos é que não denunciam? Quantos têm medo do estado?". Eu prefiro ir por outro caminho, e arrisco-me a "lançar" o meu próprio indicador "vazio". Quantos portugueses acreditam que a criminalidade violenta está no nível mais alto de sempre? Provavelmente, uma maioria esmagadora. A verdade é que o índice mostra que estamos abaixo dos níveis de 2006, e sensivelmente ao nível de 2008. Então, o que leva os portugueses a acreditarem que tudo está "muito mais violento"?
A resposta parece clara: os media. Há dois anos, vivíamos uma época áurea de sensacionalismo político, em que Sócrates enchia jornais, pelas piores e melhores razões. E não havia tempo nem espaço para muito mais. Alguma corrupção, muito futebol, e as notícias estavam preenchidas.
Actualmente, vivemos o tempo áureo da troika, mas com tanto impasse dentro do governo, não há muito conteúdo para encher jornais, sobretudo se forem diários. A decisão dá-se a um ritmo alucinante...mente lento. Então vêm as botijas de gás, as mãos-armadas, entre outros. Tudo porque, e o jornalismo sabe-o muito bem, o medo vende. E aproveita-se da fragilidade emocional humana para encaixar receitas. Sejam elas de share ou de vendas directas. O medo vende. Portanto, como o Púbico quer começar a ser mais visitado, acho que vou começar a fazer aqui uns telefonemazinhos para os directores de informação dos principais meios de comunicação social...
Bem, talvez não.
Eu, por cá, acho que seria muito mais construtivo um jornalismo que se focasse em notícias que o fossem, e não nestas falsas notícias...
Mas se calhar sou só mesmo eu!

Pintelho

sexta-feira, 2 de março de 2012

Solução para o desemprego

Hoje, no Púbico, brindo-vos com a mágica solução para o desemprego em Portugal, caros leitores.

Este post, dado o seu conteúdo altamente interessante para quase 15% da população activa, tem um elevado potencial comercial, pelo que pensei desde logo em protegê-lo por Copyright, mas acabei por abandonar a ideia!

Assim, Portugal precisa de se unir contra as políticas desastrosas que têm levado o desemprego, tendencialmente baixo, a subir em flecha.

Atentem, por favor.
Portugal tem sido historicamente conhecido como um país com dois índices bastante baixos: produtividade e desemprego. No outro extremo, países produtivos tendem a taxas altas de desemprego.
Ora, isto não acontece à toa, deixem-me que vos diga. Se a produtividade é baixa, são necessários dois colaboradores para fazerem o trabalho de um.
Ora, as políticas de austeridade impostas pela troika e carneiristiamente acatadas pelo Coelho levam a que empresas e função pública exijam mais produtividade dos seus colaboradores, para combater a crise.
Ora, posto isto, as contas não batem certo. Se preciso de dois para fazer cem, e se, fazendo 200, tenho prejuizo, se um começa a trabalhar por dois, tenho que despedir o segundo.
E assim, caso após caso, chegámos aos 15% de desemprego.
É por isso, caro leitor, que lanço desde já um apelo à não produtividade. Não trabalhe, não faça mais, não faça melhor, mesmo que consiga. Assim salvaguardamos os empregos - escassos - que ainda sobram. Não trabalhe muito. Porque os responsáveis pela criação de emprego também não o têm feito.

Pintelho

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

3,3%

Diz a CE que o PIB português deverá recuar 3,3% este ano.
Não é de surpreender, tendo sobretudo em conta as fantásticas medidas tomadas pelo governo passista, as tais que "tinham que ser tomadas"...
Felizmente, isto são excelentes notícias, dado que o governo prevê reduzir a população em cerca de 50% através da emigração, sobrando um PIB per capita fabuloso. É este, só pode, o plano...

... A verdade é que, sendo apenas números, estes representam pessoas. Mais pobres, com menos emprego, menos dignidade e menos qualidade de vida. A "segurar o barco" dos números estão aqueles que mais podem, que mais têm, e que menos continuam a sentir o impacto da política do dito governo. Eu tenho, para mim, que mais que um governo, estamnos perante um conjunto de executores de medidas da troika, medidas essas elaboradas a pensar no enriquecimento dos credores - leia-se Alemanha através da UE, BCE e FMI, todas estas entidades com finalidades financeiras claras, que não caritativas.

E ainda há quem os aplauda. Eu tenho, cá para mim, que está tudo doido! Só pode!


Pintelho (perdoem-me o desabafo)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ainda a educação

Ao que o Púbico conseguiu apurar, através daquele diário que nos plagiou o nome, o Público, a educação continua a gerar polémica.
Após o apelo do governo e PR à emigração dos professores, agora é o novo cardeal português, Manuel Monteiro de Castro, a tirar o tapete àqueles que fizeram da sua carreira ensinar os mais jovens.
Em duas entrevistas distintas (ao Jornal de Notícias e ao Correio da Manhã), Castro defende que a postura do governo está correcta. Para ele, os professores não devem mesmo contar com um lugar no nosso país. O meio utilizado é que está errado. Castro defende, ao contrário do governo, um aumento das prestações sociais, de modo a que a mulher possa ficar em casa, a “aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, a educação dos filhos”.
Pois, com certeza. Caro professor. Se é homem, está na carreira errada. Se é mulher, olhe para a sua casa antes de ser mercenária e tentar ganhar dinheiro com a educação dos filhos dos outros. Se é homem, trabalhe por dois fora de casa. Se é mulher, trabalhe por dois dentro de casa. Mas trabalhem, para que os professores e educadores possam emigrar!
Vai mais longe:  “Portugal tem de dar mais força às famílias, pôr os nossos portugueses a produzir em Portugal e não fora”. “Devíamos dar muito mais valor à família e ao valor da mulher em casa". Pois, claro. O país precisa de produzir mais. Como? Mantendo a mulher em casa! Pois!!!

Haja alguém com sabedoria no colégio cardinalício...

... Alguém que diz, ao JN, o seguinte: “O trabalho da mulher a tempo completo, creio que não é útil ao país. Trabalhar em casa sim, mas que tenham de trabalhar de manhã até à noite, creio que para um país é negativo. A melhor formadora é a mãe, e se a mãe não tem tempo para respirar como vai ter tempo para formar?".

Ainda bem que o Vaticano respira saúde, modernismo e renovação! Mulheres para casa, já!

Pintelho

Poupe nos empregos

Não se fala de outra coisa. O número mágico é o 0,14. 14%, dizem os media, para parecerem chic.
Se vai no trânsito, aposto que está a ouvir algum locotor de voz profunda e carregada a anunciar que o desemprego bateu nos 14%.
Se viu o jornal da noite, aposto que os mesmos 14% lhe apareceram em letras garrafais.
Se lê jornais, acredito que qualquer manchete é feita por este número.
Nós, no Púbico, somos conformistas à norma e, como tal, temos que fazer manchete deste número.
Não o quero desvalorizar. Note-se, é terrível. Após este pressuposto, sigamos em frente com o texto.
Eu, por cá, estou convicto de que isto está perfeitamente alinhado com a estratégia de governo de Coelho. Corta nos rendimentos, corta nas regalias, corta nas prestações sociais, corta nos empregos. Alguém pode acusar estes senhores de incoerência?
Não me parece que esta coerência seja aquela de que o país precisa, mas é a coerência que o país, ou a grande maioria dele, elegeu.
Ao engano ou não, mas elegeu. O governo da vassoura. Varre os subsídios, varre os apoios na saúde, varre os apoios na educação, varre os empregos… Já ameaçou, até, varrer os cidadãos do país para fora. Querem governar um deserto, governem-no, pá.
A CGTP já anunciou greve geral para 22 de Março. A UGT opõe-se. Cheira-me que há muitos sindicalistas ugêtistas que também andam de vassoura na mão…
Afinal, este governo tem conseguido muitos feitos! Conseguiu:
- Aumentar o desemprego;
- Aumentar a dívida pública;
- Diminuir as exportações.

Um forte, fortíssimo aplauso para o governo do Coelho, o governo da vassoura… Até ao dia em que os mesmos portugueses de brandos costumes que o elegeram peguem nas suas próprias vassouras!

 Pintelho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os Professores, a Escola e os meninos Piegas

Bem sei que chego atrasado às aulas, caros colegas piegas, e que o snehor Professor já proferiu estas palavras anteontem, mas também quero atirar a minha bolinha de papel colada com cuspo pelo tubo da caneta, para depois fazer pieguice e dizer aos papás que o senhor Professor me chamou piegas.

Pois bem, para os mais distraídos, o PM, na passada noite de Segunda-feira, apelidou os portugueses de "alunos piegas".  Portugal de "escola", e o governo de "professor". Foi ainda mais longe. Referiu que, do alto dos seus 47 anos, já presenciou muitos encontros de antigos estudantes e que só os "profes" menos complacentes é que são recordados.

Cá no burgo, eu recordo-me dos profes que, complacentes ou não, mais me ensinaram.
Recordo-me, acima de todos, da pessoa que me ensinou (brilhantemente, diga-se de passagem), matemática. Não era o meu professor, mas o explicador (espero que Coelho não se lembre de dizer que a troika é o explicador). Um senhor completamente abandalhado, que me dizia assim "se não tens paciência para duas horas de explicação, falta à primeira!". E eu faltava. E atrasava-me, e fazia todas essas pieguices de menino rico que paga as explicações para gozar feriados.
E não é que, feliz da vida, recuperei de um "mísero" 13 para um "vinte" no exame nacional, com esta filosofia piegas? Mas com a confiança, complacência e cumplicidade, até, do meu explicador.
O austero era o Professor (espero que não seja meu leitor), que insistia em reforçar os meninos menos piegas, os marrões, que com notas piores nas avaliações tiravam melhores notas na pauta.
Um mundo de aparências.
Não sei por que motivo havia de mudar este meu modo de pensar. Se o prepotente governos que se diz "professor" é o mesmo cujo ensinamento do "combate à dívida" levou a mesma a aumentar em 6.000 ME desde a entrada da troika.
E, não querendo ser chato, senhor professor austero, a dívida só vai aumentar, até que os sorvedouros financeiros não tenham mais uma gota para sugar.
Não basta já de reforçar os meninos betinhos que, dissimuladamente, se aproveitam da situação para lucrarem, em detrimento de um sistema justo, prejudicando os demais, os piegas?
Não será hora de perceber que talvez os piegas não devam mais continuar a alimentar estes papões de "boas notas na pauta"?

Eu, por cá, estou numa de "Basta, porra!"

Pintelho

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ortografia dos tempos modernos

Graça Moura cancelou, desde ontem, a aplicação do Acordo Ortográfico (AO) no CCB. Mota Amaral e outros dois deputados do PSD Açores já fizeram saber que estão dispostos a pressionar a AR para que Portugal suspenda a aplicação do AO. Afinal, apesar de as regras ditarem que, após ratificado por três estados-membro da CPLP, os acordos passam a vigorar, há estados subscritores que ainda não o assinaram.
Eu, por cá, sou um tipo às esquerdas que, neste caso, acha a decisão dos tipos da direita muito correctas - mas nada corretas.

A ver o que sai daqui...

Pintelho

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Anita vai à bolsa

Pois é, quase que poderia ser este o título da nova empresa bolsista norte-americana.
Mark Zuckerberg entregou, ontem, em Wall Street, a documentação para passar a cotar o "seu" Facebook (doravante, FB) em bolsa.
Após, aos 19, o "puto" (e seus amigos, pois todos os putos têm amigos) ter criado a rede social mais utilizada em todo o mundo, após ter recusado 1.000 milhões de dólares, dinheiro fácil, oito anos depois, e com a senioridade dos 27, é o principal accionista de uma empresa cujo valor se estima entre os 75.000 MD e os 100.000 MD.
E como? Disponibilizando uma rede social gratuita, a caminho dos 1.000.000.000 utilizadores (14% da população mundial). E como se geram receitas? Publicidade, muita. Aplicações,algumas. Mas, sobretudo, vendendo. Vendendo o quê? Tudo. Todos os passos, todos os cliques, os likes, os subscribes, os comentários, as palavras usadas pelos seus utilizadores. Este será, certamente, o próximo passo do gigante americano - vender as bases de dados às companhias que anseiam por saber, com um detalhe nunca anteriormente sequer sonhado, os perfis dos seus consumidores - e dos seus potenciais consumidores, sobretudo.
Se, por um lado, não deixa de ser uma ferramenta poderosa, por outro, é assustador como todos nós, utilizadores do FB, aceitamos sem questionar ceder todos os nossos dados à empresa do "puto" a troco de uma experiência social grátis.
A verdade é que, se por um lado nunca estivemos tão ligados aos outros: amigos, conhecidos, e até desconhecidos, independentemente das distâncias, por outro, nunca estivemos tão expostos.
São os dois pratos da balança que, teimosamente, assediados pelo famoso "It's free and always will be", milhares de utilizadores, diariamente, acabam por não pesar.
E o Mark vai à bolsa, ainda antes de fazer oito anos.

Pintelho

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Para quem gosta de história

Podemos, desde já, comparar o novo imperialismo franco-alemão com o praticado no passado.
Entre o jogo dos empréstimos, da dívida, e dos "comissários" com poder de veto e governação e a visão romântica - ainda que sangrenta - das batalhas a cavalo, acredito que, no Ensino Básico, a versão do "Imperialismo do século XXI" vai ser mais difícil de explicar.
Espero que, quando os senhores do Império do Meio [da Europa] se voltarem para agregar Portugal, os nossos líderes tenham o bom-senso de dizer "Não!". Infelizmente, não deposito em Cavaco nem em Coelho essa confiança.
Até lá, podemos ir assistindo a mais uma jogada imperial na Grécia.

Pintelho

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um fim-de-semana histórico para o jornalismo português

Ao longo dos poucos dias que este blogue tem de vida, o leitor já se deve ter apercebido que ando meio de candeias às avessas relativamente ao jornalismo português.
Este fim-de-semana acompanhei o Congresso histórico da CGTP pelos jornais e por uns breves cinco minutos de televisão.
Carvalho da Silva, figura histórica da Central Sindical e do pós 25 de Abril em Portugal, abandona o secretariado-geral. Substitui-o, com uma tarefa complicada, não só pela responsabilidade de tomar o lugar de um líder carismático - goste-se ou não -, mas também pela conjuntura em que chega ao topo da hierarquia sindical, Arménio Carlos. Ex-deputado do PCP, representa a maioria, que nele votou e que o elegeu, numas eleições em que correu sem opositores.
Correntes minoritárias da CGTP como socialistas, católicos ou bloquistas, manifestaram divergência de opinião durante o processo eleitoral. Houve inclusivamente, abstenções.
Um acto, portanto, perfeitamente normal em democracia.
Após as eleições, com uma unidade típica naquela central, representantes do PS, BE, e ala católica, assumem Arménio Carlos como o líder de toda a CGTP, e não como o líder comunista da CGTP em que o Partido goza de uma hegemonia.
Estranho seria, num processo democrático, ganhar a minoria.

Os nossos media, contudo, para não variar, procuram tirar nabos da púcara "Arménio não representa minorias", "Abstenção de militantes bloquistas", "Católicos descontentes",...
Ligo a televisão, Sábado de manhã, e tenho a infelicidade de presenciar uma entrevista deplorável a Carlos Trindade, líder da corrente socialista da central.
-"Então, e o que acha da eleição de mais um nome comunista como líder da CGTP?"
- "É o líder de todos nós, eleito democraticamente e, portanto, de plenos direitos!"
-"Mas sei que discordam de algumas das posturas do novo secretário-geral..."
-"Como sabe, as correntes minioritárias debateram, no devido tempo, a candidatura de Arménio Carlos. Acredito que o debate a enriqueceu e formou um Secretário-Geral ainda mais forte. O processo decorreu com normalidade e agora é o líder de todos nós."
-"E não acha que as minorias estão mal representadas?"
-"Como minorias, não poderíamos ter uma maioria executiva. Estamos representados de forma proporcional, e unidos em torno de um novo SG que representa todos os sindicalistas da CGTP!"
-"Mas... É um comunista [nota: as palavras poderão não ter sido exactamente estas, mas a ideia está cá]..."
-"Como disse, na devida altura, debatemos a candidatura, que elegemos democraticamente. Repito que Arménio Carlos é, agora, o secretário-geral de todos, e não apenas dos comunistas!"
- "Vá lá, diga lá que está descontente, por favor..."

E assim, de um congresso histórico para a CGTP, a esmagadora maioria das notícias relega para segundo plano a substituição do histórico líder (concorde-se ou não com as opiniões do mesmo), preferindo entrar em polémicas inexistentes. Como se nos dias que correm desse mesmo jeito aos trabalhadores verem os sindicatos fraccionados...

Mas este discurso, o da crise, o do "'tá tudo mal, pá!", o das polémicas, tablóides, e afins é, infelizmente, o maioritario e democraticamente eleito, em processo de audiências, pelos consumidores de jornalismo em Portugal. É, portanto, o jornalismo de todos nós.
Resta-me esperar que os jornalistas que procuram fazer jornalismo mais sério, informativo e credível deixem de ser censurados. Mas isso seriam outros quinhentos.

Desta púbis vai uma merecida homenagem para o homem que, ao longo de vinte e cinco anos, defendeu até às últimas consequências aquilo em que acredita. Precisamos de pessoas assim! Comunistas, socialistas, sociais-democratas, o que seja. Precisamos de mulheres e homens assim.

Pintelho

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Que viva España!

É oficial.
Os feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro passam a ser celebrados ao Domingo.

Eu acho bem. Afinal, o PR acaba de promolgar um diploma que, basicamente, diz "A nossa Independência de Espanha, bem como a Implantação de um Regime republicano, são tão pouco importantes que podem perfeitamente passar a ser celebrados num outro dia qualquer, desde que a malta trabalhe muito e não pense no orgulho de ser português e viver em República!".

Afinal ed contas, será muito boa ideia passarmos a ser novamente uma região de Espanha, e viver sob a alçada do rei Juan Carlos (o Presidente da República, de qualquer forma, já anda a fazer as malas...)!

Eh!, pá... E depois há aquela categoria da coroa na bandeira. Eu acho bem! E os touros nas arenas!  Apoiado...


Pintelho

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Novo mapa

Na senda de medidas impostas pela troika a Portugal, o governo ensaia já, segundo o Público, aqui, um novo modelo de gestão autárquica, que abrirá caminho à regionalização.
Eu acho bem, e acho os nomes pomposos. Senão, notem: além de uma marcada cisão entre os dois grandes centros urbanos (com direito ao título de “áreas metropolitanas de Lisboa e Porto") e o resto do país, encontramos um Norte marcado a Rios. Encontramos uma Capital Europeia da Juventude divorciada da Cultura, e duas cidades que, cada vez mais, faz sentido que se unam, separadas em regiões diferentes. A indústria do Vale do Ave e o Cávado de costas voltadas, dois centros urbanos que partilham, inclusivamente, uma das maiores Universidades do país sem qualquer ligação, sem serviços partilhados, sem transportes, doença crónica que se vive entre Braga e Guimarães.

E a lista segue. Tâmega e Sousa divorciados do Douro e da área metropolitana do Porto, Beiras retalhadas, com a Serra da Estrela, só por ser alta, isolada.

No centro, deixamos os rios e passamos a orientar-nos por pinhais. O Pinhal Interior Norte, o Pinhal Interior Sul e o Pinhal Litoral. “Entalada” entre o Porto e o Pinhal litoral não temos uma área, mas duas, cheias de vitalidade e prontas a migrar, como quase todas, creio, com este mapa. Aveiro / Baixo Vouga e Baixo Mondego.

Depois descemos e encontramos um envelhecido Médio Tejo, onde os efeitos desta política já se fazem sentir, e fortemente, no Sistema de Saúde, nomeadamente ao nível do Centro Hospitalar Médio Tejo que, com o nome à frente do tempo, adopta agora medidas ao estilo "apesar-dos-Kms-de-distância-somos-todos-um-e-os-doentes-que-andem-100Km-para-chegar-ao-"piso"-com-a-especialidade-que-pretendem".

Num Alentejo que se quer unido e cativante para os sectores primário e secundário, o retalho continua. Ele há-o para todos os gostos: Alto, Central, Litoral e Baixo. Entaladas entre o Alentejo e a Área Metropolitana de Lisboa, a Lezíria, pobre coitada, e o Oeste.

Lá em baixo, impávida e serena, a região autónoma do Reino Unido a que chamamos Allgarve.

Se, para o Porto, Lisboa e Algarve, o mapa é vantajoso, a mim, parece-me, que ao querermos poupar em empresas municipais, unindo serviços e esforços que, em abono da verdade, trarão efeitos muito benéficos, este mapa, a ser o final, intensifica clivagens entre litoral e interior, entre as grandes urbes e os pequenos concelhos e, a espaços, afasta ainda mais os que precisam de se unir.

De qualquer forma, esquecendo os 18 distritos e passando às 25 regiões, mais as duas autónomas, acho que quero voltar à primária… E levar reguadas até decorar os nomes e as localizações de tantos Pinhais, Rios e Alentejos, como nos bons velhos tempos!

Pintelho

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Intervalo

Este blogue começa a ter mais intervalos que tempos úteis, pensa o leitor.

Mas é verdade. Um blogue que se quer divertido e dinâmico não sobrevive em momentos de afectos e emoções menos positivos. Portanto, o tasco voltará ao activo quando o autor se sentir em condições de "mandar c@r@lh@d@s...".

Até lá, boas blogadas.

Pintelho

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Um clique pró Cavaco

Caro leitor,

Este tasco está, neste momento, sob o rigoroso escrutínio da troika do Google, actualmente em fase de verificação para participar no programa da multinacional americana "Google AdSense".

Após semanas intensas de negociações, o Púbico encontra-se próximo de fechar acordo com a Google.
O argumento fatal surgiu das dicas deixadas pelo Arrastão, pela Jugular e pelo Paulo Querido, dinamizadores do flash mob solidário "Uma moeda pró Cavaco". Hoje, pelas 17h30m, enquanto o PR acarta as despesas de receber o Primeiro Ministro espanhol, os que puderem (pena estar eu em Braga) vão solidarizar-se com o Professor, atirando-lhe moedas de caridade, no Palácio de Belém.
Eu, por cá, não podendo comparecer, acordei com a Google.com que, durante Janeiro e Fevereiro, e mal os anúncios estejam activos neste blog, os primeiros 500.000 clicks reverterão, na íntegra, para o PR de Portugal (qualquer verdade nestas frases será pura coincidência).
Portanto, caros leitores, associem-se ao evento no Facebook, na blogosfera ou, brevemente, através do Púbico AdSense. Eu, por cá, confesso que preferiria a versão "moedinha" à versão click mas, à falta de melhor... Aguardo ansiosamente as imagens desta tarde!

Pintelho

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Conspirações "pop"


Este Sábado, enquanto apanhava boleia para a estação de caminhos-de-ferro, ouvi, pela milionésima vez, a música "Someone Like you", da artista Adele. Note-se que a artista é-o não porque canta bem, mas porque é criativa ao ponto de culpar o facto de ser uma fala-barato pelos problemas vocais surgidos por fumar que nem um animal. Juro que a culpa é de falar demais.

Foi então que me apercebi. Algo de errado se passa com esta música.

Só pode ter algum tipo de mensagem subliminar que pretenda conquistar o mundo. Que outro motivo poderia haver para que passasse tão frequentemente na rádio? Arrisco-me mesmo a dizer que, em cada duas músicas que a rádio transmite, uma é esta!

"Nota-se mesmo que não ouves rádio, Pintelho!", diz a Pintelha.

Chegados ao Porto, num jantar - por sinal, bem bom! - eis que a música volta a passar... No restaurante. "Vês?", "É coincidência!".

Ainda no restaurante, ainda no mesmo jantar... E não é que passa pela terceira vez?

Eu não quero exagerar. Nem posso, porque as evidências estão do meu lado!

Dei-me, então, ao trabalho de perscrutar as letras de tão afamado tema. Para não enviesar a minha tese, procurei partir do pressuposto de que não haveria, então, qualquer tentativa de controlar o mundo.

Na primeira quadra, a cantora dirige-se a um ex-namorado que, não tendo gostado da sua companhia, se apaixonou e casou com outra companheira. Os sentimentos de raiva, ciúme e ódio surgem, então. Será que a Adele é capaz de destruir o mundo por causa de um amor incompreendido? Prossegui.

Nas duas linhas posteriores, a cantora toma a dianteira, chamando covarde à pessoa que a abandonou. Vamos com calma, que afinal talvez esteja a afunilar as suas emoções e não haja aqui qualquer plano diabólico…

Contudo, na quadra seguinte, referindo que para ela a história ainda não terminara, a cantora demonstra ser capaz de uma agressividade incontrolada. Fico, então, na dúvida. Haverá algum plano de controlo do mundo com esta música excepcionalmente aguda?

Eis então que, no refrão, a cantora revela todo o seu plano de conquista mundial.

Ironizando contra o amor perdido, afirma peremptoriamente que encontrará alguém como ele, pobre diabo.

“”Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead, "

 Yeah”

Diz ela… Com que frieza, atroz, usa as palavras do amado para o ameaçar com a dor, seguido de um maléfico “YEAH!”? É óbvio, notório, e irrefutável que a cantora perde aqui o seu controlo emocional, voltando todo o seu poderio – fruto das quantidades de nicotina no cérebro – contra todo o mundo, incorporado, aqui, pelo seu ex-companheiro.

Segue recordando o passado, melancólica, como que a armazenar energias para levar a cabo a conquista mundial. Insiste, depois, na necessidade de lutar, e retoma o maléfico  “”Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead, "

 Yeah”.

É então que, após mostrar arrependimento pelo sabor agridoce que o fim da relação lhe deixou na boca, Adele usa a sua mais poderosa arma, os agudos capazes de controlar o cérebro humano, em dose dupla. Retoma o refrão, duas vezes seguidas, como que a preparar a humanidade para a destruição.

Terminado o tema, e já com alguma sanidade mental perdida, fico sem qualquer dúvida quanto a intenção da autora. Estou certo de que, com tais agudos, o tema provoca pequenas mudanças sinápticas a nível cerebral.

Estou certo, ainda, de que o tema foi estudado para que, repetido até à exaustão, todos os humanos se transformem num exército de escravos da Adele, com o único objectivo de abater o ex-namorado.

As primeiras vítimas, obviamente, foram os pivots de rádio, cuja missão é, agora, retransmitir a mensagem, vezes e vezes sem conta. As próximas vítimas serão os cidadãos automobilizados, que a ouvem, vezes e vezes sem conta.

Cabe-me a mim, cidadão não automobilizado, lutar, solitário, contra este plano de controlo mundial. Fica o alerta! Oiçam, por favor, Karma Chameleon, de Culture Club, música que, descobri, tem o plano de apagar da memória colectiva toda e qualquer música que persista em ficar no ouvido. Após trautear o refrão três ou quatro vezes, a música anterior desaparece. É uma música igualmente maléfica mas que, neste caso, será o antídoto possível. Como sabem, o antídoto é feito do próprio veneno…



Pintelho

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Concerto

Governo, UGT e CIP recuaram na meia hora de trabalho extraordinário.
Mas retiram quatro feriados, obrigam a quatro pontes, e retiram os três dias de férias por assiduidade.
Adeus férias.

Por hoje, nada mais. Amanhã talvez pense no assunto...
Pintelho

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Estratégia em 24 caracteres

Deng Xiaoping resumiu, em tempos. a estratégia de crescimento da superpotência comunista de forma concisa, profunda e eficaz. Hoje, pouco mais de dez anos após a sua morte, a mesma potência arrisca a ser o principal líder mundial, sem grande esforço, já que as leis da inércia parecem aplicar-se, também, aos mercados.
Dizia o líder: "Observem com serenidade; protejam a vossa posição; tratem dos assuntos com serenidade; dissimulem as vossas capacidades e não se precipitem; excelem na manutenção de um perfil baixo (dissimulem a ambição); e nunca reclamem a liderança (não ponham as garras de fora)".
Pois bem, olhando para dentro de casa, temos uma EDP chinesa, com dois portugueses na frente dos principais órgãos de gestão.
Estratégia: aprender. Crescer. Posicionar-se. Na verdade, Mexia e Catroga serão falsos chairmen, dado que, pouco a pouco, verão a Três Gargantas persuadi-los a agir de acordo com os seus interesses.
E assim a China continuará a crescer na Europa. Catroga é um óptimo nome. Ligações ao governo PSD / PP mantêm uma posição forte dos comunistas junto de um governo centro-direita europeu.
Mexia é popular, conhece os cantos à casa, e pode ensinar.

O cenário multiplica-se, em inúmeras empresas, Europa fora, e a paciência chinesa, cuja estratégia não se desenha em anos, mas em décadas, surte, pouco a pouco, efeito.

O "império do meio" expande, cresce e aglomera pelo que, mais do que analisar esta estratégia tão disseminada e apoiada por Pequim, este post pretende apenas deixar no ar a questão: daqui a dez anos, quando o novo líder tiver aprendido os costumes ocidentais, e concretizado a ambição, sem nunca a demonstrar, como estará a frágil e debilitada Europa? Isto se ainda estiver de pé...

Fica a curiosidade. Alguém tem respostas?

Pintelho

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Psicologia do dinheiro

Caro leitor,

Sou assumidamente um consumidor da era dos bits e bytes.
Mas esta manhã, enquanto caminhava para o local de trabalho, dei por mim a pensar na evolução do dinheiro, e dos seus impactos no consumo, sobretudo nos últimos anos. Na verdade, não pensei mais que alguns segundos, mas o suficiente para gerar um post.

Antes do aparecimento da moeda, trocávamos bens, e o valor da coisa dependia da necessidade de quem transaccionava. Era a era da necessidade.

Depois, perdeu-se a piada toda, e começámos a trocar papeis e chapinhas metálicas.
Nessa altura, dávamos realmente valor ao dinheiro, porque era visível. Aparecia e desaparecia das nossas mãos. Pensávamos duas vezes antes de deixar o impulso consumista levar a melhor. O consumismo dava, então, os primeiros passos.

Recentemente, com o sistema bancário em alta, o dinheiro de plástico apoiou o fenómeno. O consumidor deixou de entregar algo físico em troca do produto, para passar a introduzir um PIN. Ainda assim, a introdução do PIN reveste-se de um sentido de "autorização para" que, apesar de constituir um acto rápido e discreto, trava o consumo. Contudo, este handicap, muito inteligentemente, tem sido contornada na última geração de lojas.

Sou um consumidor de produtos App Store e iTunes. Entrei hoje no Android Market, mas ainda não lhe associei um cartão de crédito, pelo que as linhas que se seguem dizem exclusivamente respeito ao excelente trabalho dos psiconomistas da Apple.

Quando criamos um Apple ID, são-nos pedidas meia-dúzia de informações, fáceis e rápidas de preencher. E pequenos sinais verdes (verde significa aprovação. Todos queremos ver sinais verdes. Vermelho é para parar...) vão reforçando o preenchimento dos espaços. Assim, quando se trata de preencher os campos referentes ao cartão de crédito, estamos emocionalmente receptivos a introduzir essa informação. E esse é só o primeiro passo para fomentar um novo estilo de consumo. Não só fornecemos dados que permitem aos fornecedores debitar-nos dinheiro, como o fazemos com um sorriso nos lábios.

Posteriormente, ligamo-nos à App Store, e a password só nos é pedida uma vez por cada sessão. Ao limite, uma sessão dura tanto como a bateria do iDevice que estamos a utilizar. E a App Store esta está recheada de aplicações grátis. E habituamo-nos a carregar no "Free" (a cinzento) e vê-lo passar a um verde "Install app". Descarregamos, usamos e não deitamos fora, fica a ocupar espaço.

Até que chega o dia em que a aplicação que tanto nos chama a atenção tem um cinzento 0,79 euros. Tâo pouco? Eu gosto de ver o botãozinho verde. Gosto mesmo, e até é bem maior que o cinzento. E pimba. Mudamo-lo para verde com um simples toque no ecrã. "Buy app". Pois, está bem. E ela lá nos aparece no iDevice. Igualzinha às grátis. Nem notamos a diferença. Até que, uns dias depois, são menos uns trocos na conta. Uns dias depois, já algumas aplicações como esta foram descarregadas. E outras, mais dispendiosas. Tudo por causa do "verde" no registo, do "verde" que associamos a "grátis", a "descarregar", do imediatismo (se estivermos ligados por Wi-Fi, então, uma aplicação instala-se em segundos) e, sobretudo, da camuflagem quase perfeita do acto de comprar. E o iTunes, que organiza logo as nossas compras por artista, álbum, género, ano, tudo com direitos pagos, e por míseros cêntimos, e muito mais rápido do que sequer o tempo de irmos à loja de discos mais próxima, comprar um disco para...

Esta foi só mais uma das batalhas que a Nokia perdeu. A batalha dos sinais "verdes". Gastar dinheiro, com a Apple, é divertido. E assim se gerou um mercado milionário, às custas de cêntimos. Novos desenvolvimentos, aguardam-se. Por cá, facilmente imagino os adultos a gastarem dinheiro como miúdos brincam com carrinhos. Só que estes carrinhos são mais dispendiosos, no final de contas.

Pintelho


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Robin Hood

A Segurança Social está a notificar 127 mil beneficiários para devolverem dinheiros que lhes foram indevidamente entregues.
Segundo o dn.pt, o valor notificado corresponde aos primeiros 7% das dívidas ao estado a serem resgatados.
Eu acho bem. Muito bem, aliás.
Partindo, desde logo, do princípio de que quem recebeu estas prestações indevidamente não pertencerá, na esmagadora maioria, a famílias abastandas, e de que o erro foi do estado, lembrei-me de pensar. E quando um Pintelho pensa, está o caldo entornado.
Ora se eu me enganar e pagar a mais a alguém, com que desplante vou eu, passados 8 anos, reclamar os trocos que "me devem". Ou que eu transformei. De erro meu, passaram a dívida dele. Pois!
Depois há aquela máxima Robinhoodiana de que se deve tirar aos pobres para dar aos ricos.
Temos 117.000 pessoas responsáveis por 7% da dívida. Imagino, pois, que haja 93% da dívida que, não correspondendo a prestações sociais, estejam nas mãos de alguém mais poderoso que estes beneficiários, cujo dinheiro lá será usado para financiar os pobres dos banqueiros.
Mas eu acho bem, porque as garantias destes 7% são em muito superiores às dos restantes 93%, onde há poder para contratar advogados, iniciar contendas judiciais morosas e, convenhamos, chatas para caraças.
Não me tira o sono ir pelo caminho fácil do "dei-te a mais, dá-mo cá de volta senão penhoro-te os bens que tens e, mais provavelmente, os que não tens!". Já ir contra os senhores que levam os lucros a tributar na Holanda, com um batalhão de advogados atrás, é pá, é chato, deixa-os andar, que até são amigos.

E assim vão os pobres continuando a pagar a crise dos ricos. Mas a culpa é dos pobres, que não se souberam fazer ricos. Portanto, acho muito bem.

Pintelho

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mira técnica

Uma das vantagens dos blogues é que neles podemos concretizar os nossos sonhos.

Portanto, esta estação retoma a sua emissão regular amanhã. Hoje, o dia é de trovoada.

Pintelho

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Isto é que é saber poupar

Eu pertenço àquela geração que já não achava grande piada a estudar as dinastias no ensino básico. Na verdade, acreditava que decorar cognomes fosse uma perda de tempo, sobretudo porque podê-los-ia consultar a qualquer hora numa enciclopédia.

Aparentemente, a geração dos nossos actuais governantes, não contente com a ideia de existirem repositórios, pretende poupar no novo imposto sobre o armazenamento da informação.
Afinal de contas, que outro motivo poderá haver para que, num novo portal do governo, mais intuitivo e fácil de navegar, desapareça grande parte das referências a executivos anteriores?

Por cá, dei voltas e mais voltas à cabeça, até concluir que, além da poupança no infame imposto que legitima a pirataria, o governo poupa em comparações entre, por exemplo, o charme de José Sócrates e o de Coelho, em que o primeiro, garantidamente, levaria a melhor.

Poupa, ainda, em notas negativas a História de Portugal. Se não existe no site do Governo no Magalhães, então nunca foi verdade, setôra.

Queremos, pois, acreditar, que o mais fácil apra ultrapassar o difícil momento que Portugal atravessa será, seguindo o exemplo do portugal.gov.pt, ignorar o passado. Caros leitores, esqueçam todos os direitos adquiridos com a democracia. Após as referências à maçonaria desaparecidas, aos documentos originais do dossier Sócrates desaparecidos, aos governos anteriores a Coelho desaparecidos, só nos resta uma condição à qual nos agarrarmos: a qualidade de vida austeridade.

Pintelho

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

(Des)igualdades

Um estudo recente da União Europeia em seis países-membros com dificuldades orçamentais (Portugal, Espanha, Grécia, Reino Unido, Irlanda e Estónia) revela que nos seis quer ricos quer pobres estão a pagar a crise.

Até aqui, tudo bem. Mais ou menos…


O esforço exigido aos ricos deverá ser ponderadamente maior, pois estes podem e... 1% da riqueza dos ricos é uma fatia bem maior que 1% da pobreza dos pobres...


Pois bem, o estudo (cuja análise remonta ao final do primeiro semestre do ano passado) revela que, dos seis analisados, Portugal é o único país em que o rendimento dos dois decis da população mais pobres diminuiu mais que o dos decis mais ricos (6,1% contra 3,9%).

O índice Gini, um dos principais indicadores de distribuição de riqueza aumentou, pela primeira vez, desde 2003, ano em que iniciou uma tendência de descida sustentada até 2009 (sendo "0" a total inexistência de desigualdades).

Os dados remontam ao governo Sócrates. Contudo, caro leitor, o aumento de impostos cegos como o IVA, a diminuição das prestações sociais (que não são propriamente dirigidas ao percentil 95), entre outras medidas do governo PSD não auguram futuro melhor para o índice Gini português.

Recordo-me de Sócrates prometer poupar os mais pobres. Recordo-me de, com outra face, outra cor partidária, mas o mesmo objectivo de consolidação orçamental, Coelho prometer igual. Será?


Caros governantes. Num período em que vivemos obcecados por finanças, por números, por dinheiro, nada me surpreende que Vossas Excelências sejam cegas às desigualdades, que se refugiem nas falsas igualdades de certas medidas, e que não vos tire nem um minuto de sono que cada vez mais famílias tenham dificuldade em colocar algo em cima da mesa para comer.

Dou-vos de barato a despreocupação.
 

Mas agora a sério, falando a vossa linguagem, não acham que medidas que realmente toquem mais no bolso dos mais ricos que no dos mais pobres vão trazer mais dinheiro para o lado do estado? Senão vejamos, os 20% mais ricos têm, indubitavelmente, mais dinheiro que os 20% mais pobres (por definição de riqueza). Vejamos ainda (se a memória não me falha, algures no sétimo ano, aprendemos o conceito de percentagem) o impacto de um aumento de 17% no preço de produtos “de luxo”.


Façamos o exercício.

Um determinado produto básico produzido em Portugal era, em 2011, taxado a 6%. Em 2012, como empobrecemos, passa a ser considerado um produto “de luxo”. Custava, em 2011, 1 euro (IVA incluído).

Um cidadão anónimo tem 485 euros de rendimento mensal. Soares dos Santos tem um rendimento mensal com tantos dígitos que não caberia neste blogue.


a)      Quantas unidades deste produtonacional que passa a ser um luxo consegue o cidadão anónimo comprar com o seu salário, após o aumento do IVA?

R: 485 / 1, 17 = 414 (assumindo que não podemos comprar partes, nem ficar a dever). O poder de compra deste senhor desceu, efectivamente.

b)      Quantas unidades deste produto nacional que passa a ser um luxo consegue Soares dos Santos comprar, com o seu rendimento, após o aumento do IVA?

R: Qual produto nacional? Mas eu agora só compro erva holandesa…E o Pingo Doce nem foge aos impostos… Juro… Os lucros é que pagam impostos na Holanda! Acha mesmo que eu estou para perder milhões com esta brincadeira? Isso fica para os pobres que, não podendo emigrar para a Holanda, também não têm lucros a tributar.


Caros governantes. Acreditam mesmo que caminhamos para uma sociedade mais justa com estas medidas?


Pintelho
Fonte:
Público - Austeridade induz aumento da desigualdade em Portugal

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um post que veio com 10 anos de atraso

Leio hoje, com algum espanto, no Público que na base do cálculo das isenções de taxas moderadoras estão, nada menos, que os Censos 2001.
Não, não há engano, caro leitor. Como sabe, a estatística em Portugal ainda é processada por ábacos e, como tal, as decisões tomadas em 2012 não podem basear-se nos Censos 2011. Isso ocorrerá, de acordo com fontes púbicas, lá para 2022... Se a madeira dos ábacos não apodrecer entretanto.
Assim, temos uma alteração a uma lei estruturante do SNS (onde irá ele parar, daqui a 10 anos, com os censos 2011?) que sai com 10 anos de atraso, pelo menos nas estimativas de impacto.

Eu acho até boa ideia que o INE, que tanto exulta os participantes dos seus estudos a pensarem no dia "21 de Março", passe a pedir, nos Censos, uma previsão. Assim, teríamos um cabeçalho apelativo, que diria algo no género "Responda na Internet ou em papel - Tenha como referência o dia 21 de Março de 2021, e forneça-nos a sua melhor estimativa, de modo a que, quando terminarmos o tratamento, os dados se encontrem actualizados".
O inquérito prosseguiria e, por exemplo na questão 4, ler-se-ia "Às 00h do dia 21 de Março de 2021, estará presente no alojamento?". A probabilidade de eu saber a resposta com exactidão é exactamente a mesma com que respondi à questão na versão original, a mesma que vai ser tratada para as leis de 2022.

Ora, e agora imagino eu... Não há dúvidas que desde 2001 ninguém nasceu, ninguém morreu, ninguém se casou, nem divorciou, nenhumas famílias mudaram de situação financeira, geográfica e demográfica e, como tal, as previsões do impacto das medidas anunciadas estarão com cerca de 0,001% de margem de erro...

... Ou talvez não!

E assim controlamos o défice... De há dez anos.

Pintelho

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O preço da moralidade

Créditos ao Filipe Costa e ao Pablo Fernández-Navarro pelo saborosíssimo jantar, tanto pela francesinha como pela animada conversa, que deu o mote a esta posta.

Ontem jantei no Porto, cidade por mim tão querida.
E paguei uma francesinha, pela primeira vez, com dois dígitos à esquerda dos cêntimos.
E esta posta nasce com os 17% de aumento dos preços nos restaurantes, serviços de luxo - a tão badalada taxa máxima do IVA.

Pois saberão os Púbicos leitores (e os menos púbicos também) que uma conversa entre amigos, à mesa e bem regada, terá forçosamente como tema o sexo, as drogas e o rock'n'roll. Não me recordo de qual a ordem por que apareceram os temas, mas a reflexão foi produtiva.

Enquanto se falava da receita extraordinária que a subida do IVA irá (ou não) gerar, e no desaparecimento virtual anunciado da fuga fiscal na Suécia (contra os mais de 20% do PIB que escapam ao fisco em Portugal), veio à baila o mercado da prostituição, que cai naquele vazio legal do "Não é crime prostituires-te, mas não é legal e, por isso, não pagas imposto. Até és um sortudo, hein?".

Não é difícil atirar para a casa dos milhões a receita fiscal produzida por um mercado legalizado, fiscalizado e controlado por uma autoridade de saúde pública. Não se trata de incentivar o que quer que seja. Antes, trata-se de olhar para um mercado que existe, e que foge ao sistema, controlando-o com benefícios para prestadores de serviço, clientes e, naturalmente, o Estado.
O argumento do conviva granadino - a partir de agora denominado neste post como o advogado do diabo, ou nem tanto - prendia-se com o poder da ICAR que, historicamente, não vê a prostituição com olhos divinos. E não é preciso estar em Portugal há mais que uns meses (como é o caso) para perceber que, cá no burgo, a instituição romana tem um poder nada negligenciável.
É nesta fase que entra o rock'n'roll. Ou então, aquela máxima de que o dinheiro compra tudo, excepto a felicidade. Neste caso, ideologias não são felicidade.

Já imaginaram uma aldeia, conservadora e pacata, com pouco mais de 700 habitantes que, em determinada altura, recebe a notícia que, durante três dias, receberá um festival rock com 30.000 ou 40.000 almas a beberem, fumarem, sabe-se lá a fazer mais o quê, essas coisas do demo, e a ouvirem música aos berros?
A reacção será imediata. Não queremos. Mas o poder local teima.
No primeiro ano, os jovens vêm, fazem a festa, consomem, esgotam todos os stocks de tudo e mais alguma coisa que a aldeia, desprevenida, detinha, e a aldeia vê-se numa situação financeira interessante. Na edição seguinte do festival, há gala na aldeia. Os símbolos associados ao festival multiplicam-se pelas ruas, os quintais das casas vendem os produtos que os habitantes produzem ou, se não há produção própria, pelo menos improvisam-se bares, o festival já é "a tradição" da aldeia e os aldeãos saúdam efusivamente os festivaleiros. Esta história passava-se, até há poucos anos, numa aldeia do Norte do país, que muitos conhecerão pelo festival. Vilar de Mouros. Mas repete-se, Europa fora, por inúmeras festividades. A receita, está provado, gera receitas.

Fenómenos como o da prostituição originam bairros, como os que podemos ver em cidades holandesas e alemãs, que vivem desse mercado. Cá em Portugal passa-se o mesmo, mas de forma encapotada. Acredito, caro leitor, que quando as receitas da prostituição começarem a pesar, ligeiramente ou nem tanto, nas balanças do estado e dos bairros associados à mesma, o fenómeno será bastante semelhante ao vivido nestas pequenas e conservadoras aldeias.

Enquanto se falava em festivais, e na necessidade de o estado gerar receitas em mercados que fogem ao fisco, veio à baila a recente notícia de que a ASAE teria confiscado cerca de 700.000 euros em drogas nas smart shops, por alegada má rotulagem. Peanuts, quando comparado com o valor facilmente imaginado na casa dos milhões que poderia proporcionar um imposto sobre os canabinóides (se mais de metade do preço que o consumidor paga por um volume de tabaco fica para o estado, não me choca nada imaginar o peso deste mercado paralelo). A lógica que cá se aplica é a mesma da que referi para a prostituição. Um produto de consumo, controlado pela autoridade nacional de Saúde, com um valor altíssimo em impostos, maior segurança para o consumidor e, em última instância, mais barato, pois a especulação de que estes produtos vivem por serem ilegais desapareceria, naturalmente. Mais uma vez, note-se, não se trata de um incentivo ao consumo, mas de capitalizar, com vantagens para todas as partes (excepto traficantes intermediários), um mercado que existe e nos passa ao lado.
Chegamos, pois ao ponto deste post em que os argumentos morais contra a legalização das drogas leves se colocam. Contudo, olhando para cima, creio que estou em vias de perder o último leitor da coisa, pelo que deixo a moralidade à moral de cada um.

É, pois, após todos estes caracteres que chego à única frase relevante deste post. Caro leitor, se leu tudo o que está acima, o meu mais sincero pedido de desculpas. Vamos reiniciar:


O preço da moralidade

Créditos ao Filipe Costa e ao Pablo Fernández-Navarro pelo saborosíssimo jantar, tanto pela francesinha como pela animada conversa, que deu o mote a esta posta.

Caro Púbico leitor, apenas tenho, hoje, uma pequena reflexão para deixar no ar. E é que sobre para um dia em cheio.

"O país precisa de dinheiro, e há mercados que, por A ou B, fogem à máquina do estado. Não serão, pois, os momentos de crise os melhores catalizadores da mudança social?"

Pintelho

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Responsabilidade social é que era

Poucas semanas depois de o executivo ter sugerido aos professores que emigrassem, é agora o principal accionista do grupo Jerónimo Martins, detentor de marcas como o Pingo Doce, um dos primeiros a dar ouvidos ao apelo.
Os Soares dos Santos, uma das famílias mais ricas do país, vendem a sua participação no grupo empresarial à sua subsidiária na Holanda. É mais ou menos um vá para fora. cá dentro. Só que o que vai para fora, é precisamente aquilo que devia ficar cá dentro.
Numa altura em que o Estado Português tanto precisa de receitas, pois que melhor exemplo a seguir? Se os que realmente fazem "mossa" nas finanças do estado fogem...
Claro que José Soares dos Santos, administrador da Francisco Manuel dos Santos, já veio aos escaparates desmentir que se trate de uma evasão fiscal. Ao que o Púbico conseguiu apurar, a venda da posição na Jerónimo Martins à subsidiária holandesa "é pá, é só para renovar os ares! Nós não pretendemos fugir ao agravamento fiscal. O nosso único intuito é poupar uns trocos para fumar e passear no red light district".
Ora, com tão bom álibi, quem se atreve a apontar um dedo que seja? Mas que causa tão socialmente responsável!
José Soares dos Santos vai ainda mais longe, afirmando que "a saída para a Holanda não se trata de mais que um passo na nossa estratégia de crescimento. Em breve, os portugueses poderão, nas verdejantes hortas do Pingo Doce, encontrar junto ao tomate espanhol e à beterraba alemã, cannabis holandesa, a nossa mais recente aquisição!".

Eu por cá, não tencionando emigrar para a Holanda, fico muito contente por saber que os "tubarões" da economia nacional dão o exemplo.

Pintelho

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cortar o matagal

Pertenço à geração que cresceu nas redes sociais.
Ainda no Ensino Básico, o Hi5. Mais tarde, o fotolog.com. No secundário, fechei a conta do Hi5, por não a saber gerir,e não aprendi com o erro. Os blogues seguiram-se, e multiplicaram-se. Depois fechei-os, por má gestão.
Ainda experimentei o Twitter, mas a coisa não é para mim. Mantive-me fiel ao MySpace, durante anos a fio. Fácil de gerir, intuitivo, e com um grupo de contactos relativamente bem controlado.
Seguiu-se o grande "crash" do MySpace. Sem pachorra, eu como milhões de utilizadores, fechei a minha conta e aderi ao Facebook. Diz-se que quem não está no Facebook, não existe. Pobre mãe.
Comecei por adicionar amigos próximos, depois amigos menos próximos e, por fim, conhecidos e até desconhecidos. A minha fantástica capacidade de gestão de redes sociais não me ajudou.
O meu perfil na rede social do Peter contém muita informação. Gosto de a partilhar, seguindo a lógica de que não há problema, pois o conteúdo é para amigos...
Mas dei por mim, há uns tempos a questionar-me "Mas quais amigos?"
Há ali gente que nem conheço! Isto para não falar no contrato que mantemos com o Facebook, que utiliza toda a nossa informação a seu bel-prazer.

E é essa uma das principais perversões que assombram as redes sociais, sobretudo as maiores, como o Twitter ou o Facebook. A das "amizades". Gosto muito do perfil "clean" do Linkedin, em que estabelecemos, simplesmente, conexões.
Claro que o Linkedin tem um âmbito muito mais restrito que o do Facebook. O Linkedin é uma ferramenta de trabalho e de promoção profissional, e e os grupos que se estabelecem são, maioritariamente, grupos de discussão académico-profissionais.
No Facebook partilha-se tudo. Fotos de noitadas, caras que não convém partilhar com o chefe (a minha chefe é minha "amiga" no Facebook, onde a minha foto de perfil me mostra a "assaltar" uma chaminé industrial), piadas de gosto mais ou menos duvidoso, e a lista continuaria, como o leitor bem sabe.

No Facebook podemos ver adolescentes com hormonas pululantes a flirtar aqui e ali, por todo o lado, "relacionamentos" voláteis, "complicados" até... Podemos ser "amigos" daquele par de mamas que nos chamou a atenção e espalhar charme por detrás de uma confortável barreira, até ao dia...

Gosto, confesso, de partilhar tudo o que me vem à cabeça no Facebook (no Linkedin, não o faço). Não gosto, contudo, da ideia de "amigos" que desconheço terem acesso à minha localização, aos meus gostos, interesses, actividades, ...

Todos estes novos conceitos introduzidos pela rede social norte-americana são assustadores. E se, fora da "rede", as coisas fossem assim?

Foi com esse intuito que, para começar o ano, optei por fazer a minha "rede" na "rede" assemelhar-se à minha rede real. Portanto, caro leitor, se o seu nome no Facebook começa por "A", e ainda recebeu o "link" para esta posta, está de parabéns. De alguma forma, está na minha rede.

Amanhã são os "B's"...

Pintelho